segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Oxford, Bath e Stonehenge

Sempre tive um gosto forte por viagens. Minha mãe sempre diz que eu sou de 'lugar nenhum', pois não me prendo à uma terra completamente - apesar de ter vivido a minha vida inteira em Cuiabá, porém sempre com viagens programadas.

Acho que toda a minha vida foi tendenciada a não ficar neste centro geodésico. Quando pequena, lembro-me que colava fotos de cidades que gostaria de viajar na porta de meu guarda-roupa. Era meio autista, confesso, mas o meu maior prazer era ficar sentada de madrugada em frente à estas colagens e escrever a minha programação imaginária, quem ou o que iria conhecer, caminhos à serem percorridos, etc.

Ainda bem que os ares foram bons comigo e me deram possibilidades para fazer o que mais gosto. 

A Inglaterra é um país maravilhoso. É engraçado andar por algumas ruas e imaginar "nossa, aqui foi gravado o filme tal, na cena tal e com o ator tal". Londres, por exemplo, é típico. Você sempre vai se deparar com algo familiar, em que algum dia você já viu parecido. Fantástico.

Na capital há diversos lugares para se visitar. Entre museus, parques, feiras, pubs, clubs, atrações turísticas, entre outros, Londres é mais que privilegiada. Me sinto uma pessoa realizada de residir neste local, mas existem outras coisas a serem vasculhadas por este país.

No mês de agosto visitei as cidades de Oxford, Bath e uma das sete maravilhas do mundo: Stonehenge. As duas primeiras nunca tiveram nos meus planos, mas a última... sempre foi um sonho - apesar de eu ter ficado um pouco decepcionada.

Oxford

Todas estas três viagens que citei fui pela excursão que minha escola ofereceu. Preço em conta, câmera na mãe e vamos lá! Comecei a fazer uma pequena pesquisa sobre a cidade e relembrei de algumas informações interessantes, que não contemplam a parte mais famosa da história, mas para que mim a viagem ficou mais interessante. Como por exemplo, esta é a cidade natal de Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, e de J. R. R. Tolkien, quem escreveu a triologia O Senhor dos Anéis. Mudou algo em você?




pose para um foto


Enfim... apesar destas pequenas informações, é fato que quando ouvimos o nome da cidade, logo pensamos na universidade. Muitos perguntam onde é o campus. Bom, na verdade, não existe. A cidade inteira, no caso, é um verdadeiro conjunto de blocos, e, diga-se de passagem, um mais lindo que o outro.


lugar onde foi gravada a cena da sala de jantar do Harry Potter
 





será que me inscrevo? NOT

Você anda pelas ruelas de pedra e respira história, é fato. Todas as projeções e estratégias que o o Rei, no século XVII, tinha elaborado para a guerra civil estão ali. Quase dá impressão de que tudo está acontecendo novamente diante de seus olhos. É maravilhoso imaginar que por lá ocorreu coisas que mudaram toda a história de uma nação. Divino.


Uma observação que quero destacar aqui é que, apesar de ser lindo e tudo mais, o tempo é realmente muito louco. Caso você queira planejar uma visita por lá (sim, visita, pois você não vai precisar mais de um dia para conhecer tudo) leve casaco, guarda-chuva, e se duvidar, um filtro solar. Nunca havia enfrentado todas as estações do ano em um só dia, sem bricandeira! Mas apesar disso, vale muito a pena conhecer Oxford!

Stonehenge - Bath

Para amantes de uma boa história, logicamente que iriam colocar uma das sete maravilhas do mundo antigo no roteiro de viagem pelo mundo. E Stonehemge é uma delas.


bem de longe




Nunca entendi muito bem a história dessas pedras. Um local religioso? Sacrifícios? Astronomia? Mágica? Ou simplesmente uma obra dos extra-terrestres? Enfim, não importa. O que realmente me intriga é de como tudo aquilo foi construído, pois é grandioso e no meio do nada.

Apesar de ter toda essa representatividade, Stonehenge infelizmente (ou felizmente?) é uma atração 'plus'. Você não precisa mais de uma hora para prestigiar a vista de longe, pois só no solstício você tem permissão de 'tocar' nas pedras, caso contrário, uns vinte metros de distância.

Perto do monumento há uma pequena cidade chamada Bath. Conhecida pelos seus banhos termais, originais da Roma antiga, o lugar é cheio de lendas e histórias extremamente interessantes.


                            

Tombada patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Bath tem tudo aquilo que você espera de da mitologia romana. Os mais antigos dizem que as águas geradas das três nascentes do local tem o poder de fazer milagres. Não acredito que eu vá ter mais saúde ou ser rica com as águas daquelas piscinas de milianos atrás - diga-se de passagem, cheias de lodo -, mas acredito que o milagre é interno. A emoção que você sente em imaginar que pessoas habitaram por aqueles lugares há centenas de anos é indescritível.


fotos 'gactinha pro face' garantidas!

Igrejas, termas, museus, ruelas, absolutamente tudo foi minimamente projetado à beleza plena e simples de uma cidade pequena, porém enorme em questão cultural e histórica. Para mim, sinceramente, a viagem valeu por lá.

maravilhoso!

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Espero que tenham gostado das pequenas dicas. Acredito que as fotos vão dizer melhor do que as minhas palavras tortas. Quanto às outras paradas, vou dizendo de acordo com o tempo, ok?


domingo, 23 de outubro de 2011

Carpe Diem

Recentemente completou-se três meses em que estou em Londres ainda tentando conhecer os novos horizontes que a vida proporciona. A fase de "gente-grande".

Apesar de ter 24 anos (as vezes pesados) nas costas, nunca tinha me sentindo adulta ou mulher o suficiente na vida. E nunca me importei com o que me rotulavam. Sempre aceitei os anos em que a minha aparência - segundo muita gente - passava: a de menininha adolescente. Mas acho que o choque de realidade também custou a bater à minha porta, e agora, estão tentando arrombar a moradia.

passa-tempo de quem quer guardar lembranças


Independência, como lidar...

Como se sustentar, controlar gastos, compras da semana,  manter o quarto organizado, pagar as contas, pegar o metrô na hora certa, frutas e verduras, consultar a previsão do tempo (diga-se de passagem, doido), livros e cadernos, lavar a roupa, passar, limpar a casa e até tomar remédios (?). Sim, tomar remédios... Coisas aparentemente simples para muitas pessoas, mas totalmente fora do comum de quem nunca precisou fazer nada disso. Isso é o inverso da minha antiga vida pacata, no qual nada fazia praticamente nada.

Não, isso não é uma reclamação. Só estou chegando à conclusão que, como todos, sou uma pessoa previsível. Com as suas frustrações, amadurecimentos e infantilidades também.

Por essas semanas recebi conterrâneos queridos por estas terras. Tinha tudo para ser uma visita de 'cinco horas', mas foi bem mais que isso. Parece que a saudade triplicou no meu peito de uma vez só, e agora está doendo, que às vezes a dor chega a ser física.

Esta semana conversei com a minha mãe via Skype. Jamais iria imaginar que choraria na frente de um computador falando a ela que estava com saudades e que queria estar do lado dela naquele momento. 

Bom, como algumas pessoas sabem, não sou apegada à coisas sentimentalistas demais. Sempre achei que se há um problema, ele deve ser resolvido internamente no primeiro lance e depois tudo vai caminhando naturalmente. Mas, não. As coisas são mais complicadas do que jamais imaginei.

Hoje tento andar pelas ruas como se fosse o meu último dia por aqui, pois tenho certeza que este dia chegará. Até ir para o ponto de ônibus eu procuro olhar os prédios, as árvores e tudo em minha volta de uma forma diferente. 

Sim, eu amo este lugar. Fato. É como se ele tivesse feito parte de mim em outras vidas, pois tudo me respira tão familiar que eu quase não tenho explicações.

Mas queria só deixar registrado que sinto saudades de vocês, pessoas de carne, osso e semelhantes interesses, como eu, que caminham pelas ruas procurando mais coisas extraordinárias na vida - apesar dela, aparentemente, estar completa.

Amo vocês.



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Medo e delírio em Amsterdam

Não, não estou aqui para escrever um incrível texto alá H. Thompson (mesmo porque eu não tenho toda essa habilidade), mas sim, contar um pouco sobre os acontecimentos do último final de semana, no que se resume em: mochilas, albergue, Burger King, drogas e muita chapação.

Como toda boa galera, reunimos alguns dias antes para organizar a viagem. Mochilões prontos, passagens e passaporte na mão, porém algo muito importante que deixou passado... o albergue! Depois de uma breve pesquisa de remarcação da data e dormitórios pela internet (que pelo visto, estavam com preços bem salgados) decidimos ir na 'caruda' (cuiabanês, ou 'cada dura' em tradução livre hehe) e procurar algum cantinho para ficarmos, mesmo que fosse na estação de trem!

Saímos de Londres quinta-feira a noite (08/09) e chegamos pela manhãzinha de sexta extremamente quebrados. Também pudera uma viagem inteira com o rádio nas alturas tocando clássicos dos anos 80 no ouvido não é mole não! Inferno de motorista...

primeira foto antes da jornada

ENFIM!

Chegando em Amsterdam, o tempo estava um tanto frio e fechado. Pegamos um metrô para irmos ao centro e achar nosso destino por lá. Nisso, descobrimos quanto é inútil comprar tickets para transportes públicos. Tudo isso porque as catracas são abertas, ou seja, você tem livre-acesso clandestino se quiser. Ficamos um fim de semana inteiro andando pela cidade, pegando bondes e metrôs, sem pagar ao menos uma passagem se quer. O que deu para economizar alguns erozinhos...

Já no centro, o grande dilema estava a discutir: onde ficar? Andamos durante duas horas entre as ruas para saber  sobre um local ideal, ou seja, mais barato. Até que tivemos uma GRANDE sorte em achar o Aroza Hostel (super recomendo), um albergue bem psicodélico localizado no centro de Amsterdam. Estávamos em nove pessoas e tivemos que dividir um quarto com seis camas e um colchão. Mas em compensação tínhamos café da manhã (pãozinho com geléinha, manteiga, leite e coisinhas do tipo) e um banheiro só pra gente! O que já era um luxo para quem chegou sem rumo algum...

faixada do hostel

saguão do hostel "é proibido fumar cigarro, só maconha"

se esse quarto falasse...

Além do café da manhã básico no hostel, tivemos que nos contentar com a promoção do Burger King durante toda a viagem. Um cheeseburger com batata frita e refrigerante por apensas 2 euros! Para que gastar com comida se tínhamos outras coisas para investir o dinheiro, hein?!

Deixamos as coisas no quarto e saímos para dar um 'look around' pela city. Tiramos várias fotos, inclusive perto do rio Amstel. Não, não existe uma ponte específica, e sim, diversas! Então, caso um dia você já se perguntou porque as pessoas adoram tirar foto na 'ponte de Amsterdam' não se iluda, pois não há nenhuma em especial, a cada esquina existe uma dessas onde você pode tirar milhares de registros em um mesmo ângulo.

galerinha reunida na ponte

foto de mamãe...



O mais interessante dentre tantas outras coisas interessantes, é nessas pontes dá para se ver milhares de bicicletas encostadas. O que já é um cartão postal da cidade. Considerado sim o principal meio de transporte, muitas são estacionadas até sem corrente de proteção. O engraçado é ver a galera chegando na balada com uma magrela e ainda com campainha. Ri demais!

magrelinha companheira da galera

A cidade é totalmente diferente do que já vi ou imaginei. Como diria a minha amiga Joellen "totalmente fora da nossa realidade". Fora as coisinhas bonitas de se ver em qualquer cidade turística, há um grande diferencial por lá. A legalização das drogas livre para todo mundo ver. Em todos os andarilhos você encontra os "coffes shops", o que, aparentemente, você acha que é um simples pub, entretanto ao invés de encontrar bebida, encontra-se o famoso cigarrinho do capeta. Alias, em muitos lugares não se aceita nem fumar cigarro, como em qualquer bar decente. A única coisa que pode ser fumada é a tal da marijuana...

"garçom, desce mais uma rodada de maconha ae!"

O estranho foi ver o 'menu' com diversos tipos da erva, desde os mais fracos aos mais fortes - o que leva é a preferência do cliente. E na minha inocência, vi uma lista de milkshakes e perguntei ao atendente qual era o melhor opção dentre aqueles nomes estranhos, ele nem ao menos falou, somente abriu um pote de erva e enfiou na minha cara para eu dar uma 'cheiradinha'. Então, achei que uma garrafinha de água seria mais ideal no momento.

APESAR da água ter descido maravilhosamente bem, decidi provar algumas especiarias 'holandesas'. Um bolinho de chocolate com haxixe, o que eles chamam de 'space cake' (ou 'bolo do espaço'). Bom, pelo nome já dá para se ter uma ideia de que efeito este pedaço tinha. O sabor é o mesmo, mas o efeito... parecia que tinha entrado em uma outra dimensão e não conseguia sair. Foi realmente agoniante. Os sentidos estavam a mil e aparentemente o meu corpo se mexia e eu ficava dentro dele só observando tudo, sem fazer nada. Minha mão estava fria e meu rosto queimando e tudo flutuava pesadamente. Eu enxergava tudo em ondas, como aqueles descanso de tela do Windows. É, papo de zé droguinha mesmo, mas não posso deixar de dar um certo testemunho a vocês. Se virem e entendam a nóia!

E falando em nóia... 

Fiquei de cara com as 'partes baixas' da cidade. Não sei se dá para se chamar do tipo, mas que eu chokay, eu choquei. Diversas mulheres de diferentes tipos e tamanhos em vitrines, esperando a clientela de baixo de uma luz vermelha e a frente de um pequeno quarto. Foi realmente bem engraçado vê-las ali, com minis roupas de baixo com corpos de dar inveja a qualquer um. Enfim... é isso ai, né.

MAS...

Deixando o mundo perdido de lado, em Amsterdam pode-se encontrar fatos históricos sim. Como o museu de Anne Frank. Para quem não sabe, ela foi uma judia que viveu escondida dos nazistas, na década de 40, durante a segunda guerra mundial, no sótão da empresa de seu pai juntamente com a sua família. E durante todo este período ela começou a escrever em seu diário, e depois em papéis soltos, sobre o seu cotidiano e sonhos de ser uma escritora de sucesso. As escritas se tornaram em um dos maiores bests-sellers da história. O lugar é arrepiante mas também cheio de emoção. Fotos, maquetes, cartas, vídeos, entre outros registros que dão para se refletir sobre o sofrimento e a esperança que as pessoas tinham, mesmo naquele estado.


bela
Outra atração mais do que mais imperdível é o museu do meu querido van Gogh. Jamais eu poderia deixar de prestigiar tudo aquilo de perto. Lá pode-se encontrar pinturas do próprio e trabalho de artistas que se inspiraram com a obra deste grande gênio. BUT, fiquei um pouco triste, pois a não encontrei a minha tela favorita, que seria a 'Noite estrelada'. Mas só por ter visto diversos autos-retratos, 'Os comedores de batata', 'Sunflowers', 'O quarto de van Gogh em Arles' e 'Almond blossom', já fiquei feliz demais. Pena que não podia tirar fotos no local, mas os postais já me deixaram com boas lembranças além da memória.

simplesmente fascinante

ÚLTIMO DIA

Domingão rachando na cara. Acordamos no susto às dez horas da manhã para fazer o check-out e não ter que pagar mais uma diária. Tivemos que socar as coisas nos mochilões e descer correndo pelas escadas cabulosas do albergue. Nem o banho deu tempo de tomar, no que resultou 32 horas sem ver uma gota d'água na cabeça e um cheirinho de cebo no cabelo. Apesar da determinada falta de higiene forçada, o dia foi bem proveitoso com muitas fotos e últimas andanças de 'um final de semana perdido' em um ótimo sentido.

Diversas ideias e conceitos mudaram durante a viagem, apesar de aparentemente ser só divertida, os pensamentos foram à outras dimensões também, ou, de certa forma, simplesmente a cabeça abriu mais um pouco. Sim, a vontade da volta e a saudade já está imensa. E que venham mais aventuras por aí! :)

Yes, I am!


domingo, 24 de julho de 2011

Primeiro dia em London

Oi, pessoas!

Bom, como alguns já sabem, agora estou em uma nova etapa da vida: vim morar em Londres! E, de acordo com as leis britânicas, eu só posso ficar nos próximos 11 meses por aqui (mas se eu arranjar um gringo gacto e cheio da grana, talvez isso mude!).

Hoje (data que estou escrevendo este texo, pois não sei quando irei posta-lo exatamente) é dia 24 de julho de 2011, às 00:39 exatamente. O tempo está semelhante com o que eu deixei Cuiabá - meio friozinho, ventando.

Tive quase 24 horas de viagem, não sei ao certo, porque esse fuso-horário me confunde muito. E aviso que foi beeem cansativa a vinda pra cá. Quase não dormi no voo, pois o dia aqui começa às 1h e pouco da manhã daí (horário de Cuiabá). Complicado!

O percurso de tudo foi de Cuiabá - São Paulo - Miadrid (Espanha) e finalmente London. O aeroporto espanhol de Barajaras é maravilhoso! Isso sim que é eficiência em questão de aviação (coisa que a gente não vê com muita frequência no Brasil). O mesmo digo para o daqui (apesar de eu ter ficado meio perdida).

Me senti na necessidade de dividir com vocês o que fazer e levar durante essas longas viagens. Vou resumir em tópicos:

- Leve sempre uma toalhinha de rosto na mochila. Elas são muito úteis em muitas situações, acreditem.

- Leve uma mochila (super importante!!)

- Se você não sentir fome na hora que servirem a comida no avião, guarde-a. Nunca se sabe a que hora você vai sentir fome de verdade.

- Contrate um serviço de translado antes de vir pra cá. O aeroporto fora da cidade, ou seja, longe de tudo! O mínimo de taxi que vocês vão gastar é de 100£.

- MP3 pra vida! Principalmente com algum álbum dos Beatles gravado.

- Câmera fotográfica na mão, off course.

- Um livro ultra legal! Pois tédio é o que não falta nessa viagem.

- Remédios para dor de cabeça. (me arrependi de não ter levado um comigo).

- Guia, mapa, ou qualquer coisa parecida.

- Uma blusa de frio. (Isso vai depender muito da época que você decidir vir. Como eu cheguei no verão, uma blusinha leve de frio de Cuiabá está de bom tamanho).

- E por fim, não menos importante, MUITA, mas MUITA disposição no corpo e alegria no coração.

Quando pisei nessa terra, eu nem acreditei! É muito sonho para um único acontecimento.

Tudo bem que passei algumas frustrações no aeroporto. Apesar de eu ter recomendado o serviço de translado, o meu atrasou um bocado! E eu tive que pagar 10£ para comprar um tipo de cartão telefônico dos infernos para não saber mexer. Sorte que o motorista chegou à tempo, antes de eu cometer a burrada de pagar um taxi e gastar tudo que tenho pra chegar na casa.

O motorista... este sim me intrigou. Não lembro o nome dele, mas ele é parquistanês. Deu para saber na hora que ele não era daqui, não somente pela aparência, e sim, pelo sotaque. Durante o grande trajeto que tivemos do aeroporto à casa, ficamos conversando um bom tempo. O que me deixou chocada? Ele nunca ouviu falar de Beates!!! Fiquei até sem graça depois que ele olhou para a minha cara de inconformada, falando "My God! How???". Enfim...

Atualmente estou em casa de família. Minha nova "mãe" se chama Monica Findlay. Ela é jamiacana, residente em Londres há muito tempo. Aqui mora a filha dela também, mas eu esqueci o nome dela. Há somente uma estudante, além de mim, aqui. O nome dela é Lylia e ela é russa. Todas foram muito simpáticas e receptivas. Uns amores!

A comida ainda é meio estranha pra mim. Muitas batatas no jantar e linguica com feijao no café... Mas, para evitar isso, comprei algumas frutas pela manha. Vou me forcar, a come-las. Juro!

A casa é bem estilo londrino de se ver: aparentemente um sobrado, porém onde moram duas famílias diferentes, uma em cima e a outra em baixo. Estreito, quartos amplos, escadas por todo canto, cozinha com armários e eletrodomésticos embutidos, e assim por diante.

Aqui é relativamente perto de tudo, como me disseram. Localizado na Zona 3, em Leyton, que é um pouco longe do centro, mas com estações de metrô próximas. Ainda não andei direito por essas ruas, pretendo levantar cedo amanhã (ou mais tarde, depende do ponto de vista) para dar uma de britânica e caminhar muito por aí.

Bom, é isso! Pelo pouco que vi das ruas, aqui é uma cidade maravilhosa que vale a pena todos conhecerem! Espero que os próximos meses sejam maravilhosos como a chegada.

Até a próxima!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Uma coisa puxa a outra

Ontem eu vi um vídeo que me deixou um tanto intrigada e me fez pensar em diversas coisas, como as vertentes da vida que encaramos com determinada distinção, porém que se cruzam em conseqüências do dia-a-dia.

Bom, para vocês entenderem melhor o que estou dizendo, aqui vai o próprio. Tirem suas conclusões ao ver, que em seguida darei as minhas.



Esta reportagem me remete alguns pontos de vista que se liga a alguns dos temas “que não dá para se discutir” na opinião pública: religião e política.

Em primeira impressão, pelo menos ao meu ponto de vista, vi que o pastor/pedreiro aproveitou de uma brecha equivocada da bíblia para se “aproveitar” de um fato socialmente condenável – o adultério. Porém, por trás disso traz há conseqüências que não se pode considerar exclusivamente erro do pastor, e sim, por três importantes fatores: do ensino de pouca qualidade aplicada no país, do direcionamento da reportagem e dos equívocos que a própria bíblia apresenta.

Vamos por partes. Que tal começarmos a falar da tão temida política? Esta que está presente no cotidiano das pessoas desde os tempos mais primórdios, no qual tantos teóricos se propõe a explicar.

Segundo estatísticas do IBGE, quase a metade de crianças e adolescentes, mais precisamente 42%, abandonam as escolas antes de concluir o ensino-médio para trabalhar e ajudar em casa, e grande parte delas vêm de escolas públicas, o que já estamos carecas de saber que não há qualidade suficiente para o mercado de trabalho. E isso resulta nos afazeres braçais, nos quais não se exige tanto o lado intelectual da questão.

Creio que este pedreiro está dentro destes números que se fazem a maioria no país. É fácil dizer que o homem é um ‘malandro, crente safado’, entre outros, sendo que não acompanhamos o cotidiano deste trabalhador, que, muito provavelmente, a vida não lhe ofereceu oportunidades de se ter uma boa educação a ponto de ler e entender corretamente o que se diz em uma estrofe da bíblia.

Além de todas estas questões que infelizmente são presentes até hoje, em pleno séc. XXI, ainda temos que encarar reportagens totalmente tendenciosas, que estimulam o telespectador a pensar de tal forma, com pouco esforço e de extrema sutileza.
Acho que quase todo mundo sabe da rivalidade entre a Globo e os evangélicos do país, ou melhor,da Record, cujo dono é pastor evangélico, Edir Macedo. Apesar de parecer um tanto curioso, há de se fazer uma ligação em cima destes fatos.

A monopolização da comunicação brasileira faz com que determinada emissora (Globo) se apresente apelativa em alguns casos, como este, por exemplo: Ridicularizando um simples trabalhador por um equívoco ocorrido, manchando ainda mais a imagem do pobre no país, em troca da permanência no poder injusto, que deveria estar concentrado no povo. É claro nas entrelinhas da matéria que Justino, o pastor/pedreiro, tentou buscar o tipo de sabedoria profunda dentro de conceitos religiosos, lidos diretamente do livro mais famoso de todos os tempos: a bíblia. Esta que, apesar de apresentar diversos exemplos de vida para a sociedade, não é vista por mim, como um bom caminho para a tão almejada ‘salvação’.

Em minha adolescência tive um breve estudo sobre a bíblia, e comecei a ver contradições nos capítulos estudados e ensinamentos que já não são tão aplicáveis para os tempos de hoje. Dentro disso tudo começou em mim uma certa rejeição a ela.
Para começar a discussão, a própria foi escritas por homens, como eu, como você, que têm pecados, que cometem erros e que são totalmente vulneráveis aos “prazeres errados” da vida.

Para provar o que acabei de falar, a bíblia em suma considera a mulher algo de exclusivo uso do homem, aplicando limitações na vida até intelectual desta. Desculpe-me os religiosos que seguem a risca os ‘ensinamentos sagrados’, mas esta é a realidade, não é? Aqui vão as estrofes:

"As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor.... Como, porém, a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido" (Efésios 5:22,24).

"Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor" (Colossenses 3:18)

"Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido..." (1 Pedro 3:1)

Que Deus seria esse, injusto, que dá o poder de pensar a ambos os sexos e dá regalias a uns e limitações a outros? Deus não prega a igualdade, a perseverança e o respeito ao próximo? Acho que isso é muito bem aplicável nestes âmbitos.

E tem outra, se a bíblia é tão sagrada assim, por que, além de ser registrada por homens (como eu disse anteriormente) ela é escrita em meras folhas, sendo que tem gente que até interpreta uma receita de bolo diferente? Sem contar no fato de que ela existe a dois mil anos e antigamente, nas missas, era lida em latim, no qual praticamente ninguém entendia absolutamente nada do que era pregado, apenas se informavam através de padres corruptos e inquisitórios. Esta, segundo a história, só começou a ser traduzida por Martim Lutero, no séc. XV, para o alemão, sendo que o mesmo era aliado da monarquia, que tinha lá seus interesses próprios que nem cabe aqui discutir.

Enfim, juntando tudo isso e mais um pouco que ronda a minha cabeça neste momento: é justo julgarmos o estudo, a crença e a ignorância da grande maioria pobre no país? Brasileiros que não tiveram contato com a melhor educação que o mundo poderia oferecer, mas que as ocasiões não permitiram. Além de existir ainda pessoas que obtém todo o ensino que a vida proporciona e ainda se sentem no direito de chacotear os que não tiveram as mesmas oportunidades, por puro capricho que se espelha na repressão vivida nos mil anos de trevas da inquisição aplicada pela própria igreja, alegando os ensinamentos sagrados da bíblia.

Uma coisa puxa a outra e a história se repete. Estamos verdadeiramente vivendo em uma democracia e também na liberdade de expressão? Realmente são essas e outras coisas que ainda são maquiadas, no qual os poderosos fingem que respeitam e nós fingimos que obtemos destas “regalias”.

Era isso.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primeira parada: Venezuela

Viagens, viagens, viagens... Por mim, viveria assim pra sempre. Passando de um lugar para o outro, conhecendo gente, partes diferentes do globo e até ares novos.
Recentemente eu fiz minha primeira (de muitas, assim espero) viagem internacional, juntamente com os meus familiares. E o destino foi: Venezuela.

Sim, o lugar não tem lá uma fama das melhores, começando pelo governo. Mas, apesar de todas as notícias corriqueiras sobre a nação, descobri outro lado da moeda, diferente dos que costumam falar pelas mídias afora.

A CHEGADA

Depois de quase dez horas de viagem, chegamos exaustos em Caracas, a capital venezuelana. A cidade estava cinza e relativamente fria, porém deu para se perceber o ar ‘caliente’ desde que entramos no taxi – que, vamos respeitar, eram totalmente diferente dos ‘carrinhos’ de nada do Brasil. Dentro dos carros o mambo e a salsa tomavam conta das rádios bolivarianas, caracterizando bem o que, eu, pelo menos, pensava da cultura de lá.


Pelas ruas, me veio uma vasta semelhança com o Rio de Janeiro: muita favela em cima de muito morro. Mas pelas simples casinhas via-se muitas cores nas paredes, o que dava uma cara diferenciada, algo um tanto mais ‘alegre’, ao local.

Ruas de Caracas

O hotel em que ficamos era merecidamente cinco estrelas. Vocês podem estar pensando que eu sou rica agora. Não, gente. Lá é tudo absurdamente barato. Um real é o equivalente a três e noventa bolívares. Ou seja, fizemos a festa mesmo! Entrei no quarto encantada. O banheiro? Ah, o banheiro... tinha uma linda banheira com água quentinha me chamando a todas as poucas horas que fiquei hospedada. Porém, só o vaso sanitário que não me familiarizei, por ter vários botões que colocou até minha mãe em apuros.

Vaso complicado...


Dando de descolada no hotel


Foto pensante...


Corredor do 'Iluminado'

COMIDA E BEBIDA

A comida, logo de cara, percebemos que não tinha muito tempero, sendo assim, o sal foi muito usado. Havia uns bolinhos de trigo e milho (igualmente sem sal, porém muito bons) que eles chamam de Arepa. Para quem for lá, não deixem de experimentar. Eles são muito bem servidos quentinhos e com manteiga, esta, uma das melhores que já provei.

Quanto a bebida, serviam uma cerveja que trazia no rótulo um urso polar e que dispunha de um gosto um tanto amargo. Ah, ela se chamava ‘Polar’. Mas eu gostava mesmo era de uma “Mitchelada”, mais conhecida como “Cosmel” pelas bandas daqui. Ou “CDB”, para os mais botequeiros.

Arepa

Mitchelada!

Polar

MIRAMAR HOTEL

No dia seguinte, fomos direto ao aeroporto nacional e partimos para Isla de Margaritas. Para quem não sabe a “Ilha das Margaridas” localiza-se no Mar Caribenho, famoso pelas suas águas azuizinhas e imagens paradisíacas.

Chegamos à cidade de Porlamar, capital do Estado. O ‘ressort’, chamado Miramar Hotel, que havíamos reservado ficava a mais ou menos 40 minutos do aeroporto, ou seja, mais uma ‘viagem’ de carro. Chegando lá foi um sacrifício para toda a família se comunicar com os venezuelanos, pois ninguém sabia falar castelliano, então, lá foi eu treinar um pouco do meu pobre inglês. O interessante nisso é que apesar do país ser relativamente pobre, praticamente todos os que eu me comuniquei dentro desta uma semana falavam inglês muito bem, obrigada. Até as faxineiras (sem querer desmerecer, mas vocês sabem do que falo) entendiam.

Miramar de longe


Miramar de perto

Então, a praia do ressort era linda. Tudo bem que nos dois primeiros dias enfrentamos uma chuva muito chata, daquelas que iam e voltavam do nada. Entretanto, nos demais foram acalorados com muito sol, o que cooperou com a paisagem e com o meu bronze também.

Praia no frio


Praia no calor


As coisas chatas – realmente MUITO chatas – foi que tudo lá havia regras e horários. Por exemplo: não podíamos pegar nem um pouco de batata frita para levar à beira da praia, para comer como petisco. NÃO HAVIA CAMARÃO. Quantos aos horários, somente a partir das 11 horas que eles liberavam as bebidas. Essas dispunham de cerveja e coquetéis, um em especial – que tinha até uma música bem tocada nas rádios de lá – que se chamava Piña Collada. O que isso significa? Abacaxi alguma coisa...

Para acompanhar a bebida, havia apresentações culturais todas as noites no hotel. A primeira foi com uma dança típica da Venezuela, chamada Joropo. Deu para se lembrar um pouco do siriri e cururu cuiabano, por conta das roupas coloridas, das saias rodadas, do ritmo a dois, entre outros. Só o som que eram verdadeiros hinos do país, pelo fato das pessoas cantarem com até muito louvor, reverenciando o país. Muito animado e bonito. Todavia, nos demais dias eu queria morrer. Sabe vergonha alheia? Então, senti muito isso nesses horários.

As apresentações se diferenciavam em temas. Um dia rolou um show de comédia pastelona, outro era dança espanhola (bem aquele “bomboleioooo, bamboleiaaaa”), outro era uma imitação barata de “Grease – Nos tempos de brilhantina”, e assim por diante. O pior de tudo era que sempre depois desse inferno eles chamavam uma galera do público para dançar em cima do palco o “Chiuaua”, o que tive a infelicidade de dançar pra todo mundo ver no primeiro dia. CAPETA DE MÚSICA QUE NÃO SAIU DA MINHA CABEÇA ATÉ O FINAL DESSA VIAGEM!

Dancinha da desgraça...

COMPRAS E MAIS COMPRAS

Uma das partes mais legais foi ir às compras! Fomos ao shopping na cidade fizemos a festa. Muito bom estar em um país com a moeda bem mais desvalorizada que a sua. Apesar da cidade ser pequena, tinha muitas lojas de grife que não se encontra nem em Cuiabá! Como a Victoria Secrets, Kipling, entre outras que desconheço (desculpem, mas não sou muito ligada a marcas. Fiquei um pouco por dentro agora...).

Foto de 'pose que mamãe mandou'

O centro da cidade também havia bastante loja bacana, porém muitas não eram de ‘grife’. Comprei algumas coisas que estarei precisando futuramente a preço de banana. Tem a parte engraçada também em muitas dessas lojas, que são os manequins. A maioria são igualmente trabalhadas dentro do padrão de beleza venezuelano: peitudas, muito peitudas.

Peitólas...

Mudando um pouco o foco, dentro desse pequeno passeio pela cidade vi a rotina porlamariana... Os ônibus pareciam aqueles “School Bus” amarelo, entretanto bem mais desgastados. Eram filas e filas destes sempre bem lotados. O trânsito era até mais infernal do que estamos acostumado, sem muitas sinalizações e regras – diferente daquele ressort dos infernos.

E tem gente reclamando do bus de Cuiabá

TURISMO

Lá pelos últimos dias fomos fazer um passeio turístico pela ilha. Com um jipe branco quase caindo aos pedaços e tendo o Alejandro como guia conhecermos lugares históricos, como o La Galera, uma fortaleza espanhola instalada há 200 anos durante a guerra, além de praias maravilhosas que faziam parte do caribe venezuelano tomaram conta dos meus olhos.

La Galera 'ueba!'

Águas incrivelmente azuis e limpinhas. O triste é saber que toda aquela paisagem tinha pouca estrutura. Como na ‘Playa Punta Arena’, havia um modesto restaurante que não tinha água encanada e energia instalada. Uma vergonha para um país que se orgulha de ser o terceiro maior exportador de petróleo do mundo. Apesar de todos estes ‘contra tempos’, tudo foi muito bom e até encantador, sim.

Praia caribenha

Restaurante sem estrutura, mas bonito

Fomos embora na manhã de um sábado corrido e caloroso. Foram praticamente 24 horas de aeroportos e vôos para chegar de volta à Cuiabá e finalmente deitar na minha caminha saudosa.
Sim, a Venezuela é um país bom para se visitar, mas infelizmente não voltarei tão cedo, pelo menos a passeio. Mas tudo valeu a pena demais, principalmente pela paisagem linda que o país proporcionou. É, a primeira vez a gente não é para se esquecer...

Tchau, Venezuela! Foi bom te conhecer!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Visões do mundo


Está aí um hobbie que se tornou 'coisa séria' em um curto espaço de tempo. Houve uma época em que eu nunca tive um maior apreço por tirar fotos, apenas admira-las através de outros olhares. Porém, eis o dia em que eu resolvi estudar comunicação e tive um contato maior com esta arte tão fascinante, que me pegou de uma forma que eu não consigo largar mais.

Neste link você pode conferir alguns trabalhos meus. Ainda estou atualizando aos poucos - pois há um limite no flickr não pago -, mas aguardem por mais novidades! Basicamente estas são as minhas 'obras de arte'. Umas feitas por hobbie, outras feitas a trabalho, porém ambas elaboradas com muito amor, carinho e dedicação.

Sim, isto é um tipo de propaganda. E quem quiser contratar meus serviços, o contato é este: (65) 8414-3623.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Miles Davis & John Coltrane - Kind of blue




Escutar Coltrane na madrugada é a melhor coisa que tem.

Apesar da música parecer um pouco "deprê", eu não paro de escuta-la e mesmo assim estou feliz demais. Obrigada a todas as energias positivas que me rondam!