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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Liverpool dos quatro garotos (e meu também)

Este final de ano foi extremamente corrido, por isso dei uma sumida. Mas em compensação, tenho muitas novidades para contar.

Desde o dia 19 do mês passado tive os meus dias muito bem preenchidos, obrigada! Viagens, passeios, chocolates, quilos... enfim, coisas de 'holidays'.

Creio que o título já dá a informação básica sobre o texto. Para quem me conhece, sabe que isso foi uma das maiores realizações da minha vida: Visitar Liverpool, e, de quebra, ir ao show do Paul McCartney. Preciso dizer que fiquei feliz?

Ônibus, maquiagem, cervejas...

Coloquei o pé na estrada antes do almoço e levei seis cansativas horas de viagem. Mas apesar disso, andar pela Inglaterra é extremamente excitante, pois as paisagens são exatamente iguais as de um filme - ainda mais quando a neve as contemplam. Entretanto, acho que estava um pouco cansada demais para passeios solitários.

Cheguei quase à noite (quatro horas da tarde do inverno). Quando desci os degraus do ônibus, consegui deixar a minha ficha cair. Olhei para as casas, prédios, ruas, entre outras coisas que estavam ao meu redor. Tudo soava familiar demais... é, estava em Liverpool.

Foram anos e anos esperando por este momento tão especial. Praticamente a minha adolescência inteira imaginei como seria este momento. Nada aconteceu como o 'planejado' (se é que teve um plano concreto), mas a emoção foi certa.

Fiquei no Hatters Hostel, albergue localizado praticamente no coração da cidade. Com um preço bem accessível, a decoração do local é totalmente inspirada nos Beatles, com muitos desenhos temáticos do Yellow Submarine, além de portas com janelinhas redondas. Super recomendo!

Chegando lá, só deixei minhas coisas e peguei o mapa para me localizar. Sem demora e sem maquiagem, fui direto ao local quase sagrado aos beatlemaníacos: o The Cavern Club.

Foram alguns minutos minutos de caminhada e outros de fotos, mas quado virei a esquina e dei de cara com aquele letreiro vermelho, simplesmente arrepiei. Era engraçado sentir o meu corpo dessa forma a todo momento, a cada lugar ou até em alguns passos. Tudo em Liverpool era possível respirar estes quatro garotos, o que deixava meus sentidos inquietos e até mesmo detalhistas (se é que os beatlemaniacos me entendem).

amor à 'primeira vista'

O bar é subterrâneo, como muitos aqui no país. Desci umas quatro remeças de escada até chegar ao local. Fui surpreendida logo de cara com o palco feito de tijolinhos, e no mesmo momento me veio a imagem dos quatro lá em cima, tocando para um amontoado de pessoas que disputavam por um espaço.

Havia um rapaz muito, mas muito, parecido (inclusive a voz!) com o John Lennon quando jovem. Só ele e o violão, fazendo um pequeno grupo de pessoas (o bar não estava cheio) cantarem alto e com força os maiores sucessos de seus ídolos. Não pude conter as lágrimas neste momento.

ele mesmo!
Andando por aquele pequeno bar, dá para se fazer uma grande viagem no tempo. Existem muitas vitrines com retratos de famosos que passaram por lá, instrumentos, cartas, entre outros. Mas o que me deixou mais emocionada foram as fotos da época pelas paredes, de quando John, Paul, George e Pete Best (para quem não sabe, o primeiro baterista) fizeram suas apresentações de estreia. Lindo!

meu paraíso

Além de apreciar toda a 'paisagem da caverna', a cerveja era bem barata - apenas £3, digo "apenas" pois aqui em Londres o preço é consideravelmente mais caro. Dancei e bebi mais que meu corpo podia, tanto que tive um prejuízo com a minha câmera. Mas é a vida, né?

Beatlemanícos

Viagens solitárias, apesar de a princípio parecer um tanto 'entediosas', o fato é que você sempre está disposto a fazer novas amizades. E este foi o caso.

Dançando pelo Cavern, acabei conhecendo Camilla. Coincidentemente brasileira, de São Paulo, estava lá somente para passar um 'final de semana perdido', até saber sobre o show do Paul. Largou toda  a programação, ficou mais uns dias na cidade, gastou uma grana não planejada só para tentar comprar o ingresso de última hora e testemunhar o espetáculo. Loucura total!

Loucura maior seria do Fabrice. Marqueteiro, há um ano deixou toda a carreira no interior da França para vender panquecas na cidade dos seus maiores ídolos. E mais! Não troca a vida que está levando por nada neste mundo!

Mas a pessoa mais 'linda' e 'mágica' que conheci, infelizmente não me lembro nem ao menos o nome. Um senhor inglês, de seus quase 70 anos. Em meio ao auxílio com a minha câmera, começou a dar todo o seu testemunho sobre os shows do Beatles no Cavern e em Londres, nos quais ele mesmo assistiu. Uma história mais arrepiante que a outra! Eu, que estava lá a sua frente, chorando com o trágico ocorrido, comecei a abraça-lo e a dizer que estava muito feliz naquela hora só pelo fato de tê-lo conhecido. Logo depois, fomos para a pista e dançamos muito. Alguém que vai ficar para sempre na minha memória :)

'O Dia'

Acordei com uma ressaca sem tamanho - além de estar com a mesma roupa da noite anterior. Com muito esforço me ajeitei o mais rápido possível para pegar o Magical Mistery Tour - um ônibus que te leva nos principais pontos da cidade, como as casas de cada um dos Beatles, a igreja onde eles tocara, Penny Lane, Strawberry Fields, etc, por apenas £15.

com direito a escutar Beatles durante todo os percurso
acho que a foto informa


lindo!


casa do George


casa do Paul


Casbah - primeiro lugar onde o Beatles tocou


era um 'café' da mãe do Pete Best
O passeio, apesar da minha ressaca, foi muito bom. Tirei algumas precárias fotos, pois a minha câmera, como disse, estava em um estado não muito bom (para não dizer 'quebrada').

A sessão 'arrepios' continuou à tona. Acho que só quem gosta mesmo para entender o que estou tentando dizer. É simplesmente lindo pisar nas exatas ruas que seus ídolos estiveram, ou melhor, viveram boas histórias para a vida toda. Me sinto extremamente realizada só por isso.

Mas para alimentar mais a emoção, eis que a noite chega. Fui ao show, e como contei no texto anterior, tudo correu além das minhas expectativas (apesar de ser o terceiro). Por fim, para fechar a noite com chave de ouro, fui ao Cavern Club só para o 'ritual' se completar. Me senti como uma daquelas mocinhas dos anos 60, dançando rockabilly à convite de um belo rapaz, balançando o seu melhor penteado com o mesmo ritmo da saia rodada. Minha noite não poderia ser melhor!

Adeus...

No dia seguinte foi todo um ritual de adeus. Com o coração extremamente apertado, passei mais uma vez pelos lugares, tirei algumas fotos e toquei em muitas coisas, prometendo a cada uma delas que iria voltar.

Este sentimento é incomum. É incrível chegar em um lugar muito distante do seu local de origem e ter a sensação de que tudo aquilo é seu, de certa forma. As músicas que sempre me acompanharam em diversos momentos da vida, estavam estampadas em cada rua daquela cidade. Daí você repara que é possível sim escutar canções além de muros de tijolos e concreto.

Conhecer pessoas com interesses semelhantes aos seus, com loucuras de mudar toda a programação da rotina, da vida, ou até de se ter lembranças do passado que ficaram eternamente no coração de quem viveu e de quem escuta.

Sim... a frase estava completamente certa: 'e no final, o mesmo amor que você recebe é igual ao amor que você doa'.

(Lennon/McCartney)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Paul McCarney - On The Run Tour 2011 - Liverpool

É muito fácil falar de coisas que gostamos e de como tudo se desenrola bem, o difícil é descrever emoções - ainda mais quando estas vêm com extrema força.

Atualmente estou morando em Londres, na Inglaterra, há exatos cinco meses. Deixei para trás o jornalismo, a faculdade de Ciências Sociais, amigos, família... enfim, tudo aquilo que conheço bem para desvendar novas paisagens que este mundo tem à oferecer.

Sou fã incondicional da banda The Beatles desde o início da minha adolescência, mas só agora descobri a força do meu sentimento pelas músicas destes quatro garotos.

Recentemente estive em Liverpool para ver o último show da turnê On the Run, de Sir Paul McCartney, depois de vê-lo em São Paulo e também aqui em Londres. Diante à tudo isso já vivido, posso lhes garantir: a emoção é singular à cada apresentação.

Momentos beatlemaniacos

Tamanha é a tal singularidade, que em cada show aconteceram coisas bem diferentes. A apresentação em São Paulo (novembro de 2010) foi resumida em total loucura, depois de 12 horas corridas em pé na fila e de baixo de chuva, juntamente com meu amigo e fotógrafo Tchélo Figueiredo. Teve toda aquela emoção de primeiro contato, com muitas lágrimas e gritos - tanto que minha voz era praticamente inexistente no pós-show.

Em Londres (início do mês) o clima mudava pelo fato de estar junto de velhinhos ingleses, animados em ver o ídolo da 'época'. Dava para perceber nos olhos de cada um a lembrança dos possíveis momentos de juventude, quando as festinhas com dancinhas de rosto colado ainda faziam parte da rotina 'badalada'. Além, é claro, de ver o Ronnie Wood (do Rolling Stones) fazendo participação especial - confesso me tremi toda com a surpresa.

Agora, em Liverpool a história já era outra... Além de eu estar na cidade natal, onde tudo se respirava à banda, eu estava rodeada de pessoas que viram o grupo nascer ou nasceram a ouvindo. A energia era muito mais intensa e a emoção foi maior do que eu jamais esperaria.

O show

A data era dia 20 de dezembro de 2011, no Echo Arena Liverpool. Diferente das outras apresentações, nas quais usava uma camisa branca, Paul resolveu inovar com uma rosa clara por baixo de um paletó preto.

Para destruir os corações dos conterrâneos, o ex-Beatle começou tocando Hello Goodbye, Junior's Farm e  All My Loving, com todo o charme e simpatia atrás de seu velho companheiro, o baixo em forma de violino que o acompanha desde a época dos Beatles.

Visivelmente emocionado durante a apresentação, suas primeiras palavras foram: "Olá, Liverpool. Está é a última noite da nossa turnê e que belo lugar para acabar com ela" - se meu inglês não deixa falhar. Rs.

Três horas de muita emoção para marcar com toda a força a 'volta' à casa. O set-list estava intercalado com sucessos da carreira solo, Beatles e Wings. Canções mais animados como Jet e Drive My Car, o novo single Sing in the Changes e a dançante Help's the Night Before marcaram o início da noite.

Trocando o velho baixo pela guitarra, tocou Let Me Roll It e em seguida Paperback Writer, liderando quatro excelentes harmonias de sua banda que não deixou falhar em nenhum momento.

No piano, minhas lágrimas começaram a rolar de verdade, quando este começou a tocar The Long and Widing Road e Come and Get It.

Com o violão em mãos, dedilhou Blackbird. Porém, vi que os 'deuses' também erram quando ele se confundiu com a letra. "Isso é a vida. Eu também erro" - afirmou arrancando boas risadas do público.

Surpresa grande com Penny Lane, esta que, como o mesmo Sir afirmou, não estar na set-list de todas as turnês dos últimos anos. O que me deixou arrepiada, pois na mesma tarde visitei a rua com a linda placa à mostra.

Canções que fizeram uma verdadeira viagem ao tempo, como Eleanor Rigby, Ob-La-Di Ob-La-Da, Back in the USSR, Band on the Run, as emocionante A Day in the Life e Let It Be. Além da eletrizante música Live and Let Die acompanhada com apresentação pirotécnica de tirar o fôlego e o considerado hino da antiga geração Hey Jude.

Mas, particularmente falando, me emocionei extremamente (mais uma vez) com as homenagens que o ex-Beatle fez aos seus antigos colegas de banda. Cantando a música Here Today, que segundo ele, foi inspirada em uma das últimas conversas que teve com Lennon (antes deste morrer) e Give a Peace a Chance.

Apesar de toda a alegria em falar e cantar para John, percebi que a 'estrela-more' da noite sentia-se mais emocionado ao falar de George Harrison. Antes de começar a cantar, relembrou de quando o conheceu no ônibus a caminho da escola e de suas primeiras palavras com o amigo. A canção Something foi cantada juntamente com as 11 mil pessoas, como se todos fossemos back-vocals da banda, cantando em uníssono.

No início do segundo bis, as músicas The Word, All You Need Is Love, efeitos de neve com Wonderful Christmas Time (cantada com um coro de crianças), Day Tripper e Get Back. Além de Mull of Kintyre, acompanhado de uma banda escocesa de tubos. Músicas diferentes dos demais show, com um super clima natalino.

E para terminar a noite, o meu trio de músicas favorito: Golden Slumbers, Carry that Weight e The End. Tudo não poderia ser mais perfeito.

Sai de lá anestesiada com uma felicidade sem explicação. Mas nada é tão bom que não possa ser melhor: Terminei minha noite no melhor estilo possível, indo ao The Cavern Club, onde os Beatles fizeram suas primeiras apresentações em Liverpool e dancei tudo o que meu corpo pôde aguentar.

faixada do Cavern

dá para ver meu olho com lágrima?

eee!
É muito bom parar e ver o quanto a vida pode oferecer. Mal esperava que pudesse viver tudo isso de uma vez só. Se absolutamente tudo fosse possível, acho que depois destes acontecimentos, eu gostaria de somente abraçar a cada um deles (mesmo no além) e agradecer por ajudar a construir os meus maiores sonhos, e é claro, que cada um deles pudessem se tornar realidade.