segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Medo e delírio em Amsterdam

Não, não estou aqui para escrever um incrível texto alá H. Thompson (mesmo porque eu não tenho toda essa habilidade), mas sim, contar um pouco sobre os acontecimentos do último final de semana, no que se resume em: mochilas, albergue, Burger King, drogas e muita chapação.

Como toda boa galera, reunimos alguns dias antes para organizar a viagem. Mochilões prontos, passagens e passaporte na mão, porém algo muito importante que deixou passado... o albergue! Depois de uma breve pesquisa de remarcação da data e dormitórios pela internet (que pelo visto, estavam com preços bem salgados) decidimos ir na 'caruda' (cuiabanês, ou 'cada dura' em tradução livre hehe) e procurar algum cantinho para ficarmos, mesmo que fosse na estação de trem!

Saímos de Londres quinta-feira a noite (08/09) e chegamos pela manhãzinha de sexta extremamente quebrados. Também pudera uma viagem inteira com o rádio nas alturas tocando clássicos dos anos 80 no ouvido não é mole não! Inferno de motorista...

primeira foto antes da jornada

ENFIM!

Chegando em Amsterdam, o tempo estava um tanto frio e fechado. Pegamos um metrô para irmos ao centro e achar nosso destino por lá. Nisso, descobrimos quanto é inútil comprar tickets para transportes públicos. Tudo isso porque as catracas são abertas, ou seja, você tem livre-acesso clandestino se quiser. Ficamos um fim de semana inteiro andando pela cidade, pegando bondes e metrôs, sem pagar ao menos uma passagem se quer. O que deu para economizar alguns erozinhos...

Já no centro, o grande dilema estava a discutir: onde ficar? Andamos durante duas horas entre as ruas para saber  sobre um local ideal, ou seja, mais barato. Até que tivemos uma GRANDE sorte em achar o Aroza Hostel (super recomendo), um albergue bem psicodélico localizado no centro de Amsterdam. Estávamos em nove pessoas e tivemos que dividir um quarto com seis camas e um colchão. Mas em compensação tínhamos café da manhã (pãozinho com geléinha, manteiga, leite e coisinhas do tipo) e um banheiro só pra gente! O que já era um luxo para quem chegou sem rumo algum...

faixada do hostel

saguão do hostel "é proibido fumar cigarro, só maconha"

se esse quarto falasse...

Além do café da manhã básico no hostel, tivemos que nos contentar com a promoção do Burger King durante toda a viagem. Um cheeseburger com batata frita e refrigerante por apensas 2 euros! Para que gastar com comida se tínhamos outras coisas para investir o dinheiro, hein?!

Deixamos as coisas no quarto e saímos para dar um 'look around' pela city. Tiramos várias fotos, inclusive perto do rio Amstel. Não, não existe uma ponte específica, e sim, diversas! Então, caso um dia você já se perguntou porque as pessoas adoram tirar foto na 'ponte de Amsterdam' não se iluda, pois não há nenhuma em especial, a cada esquina existe uma dessas onde você pode tirar milhares de registros em um mesmo ângulo.

galerinha reunida na ponte

foto de mamãe...



O mais interessante dentre tantas outras coisas interessantes, é nessas pontes dá para se ver milhares de bicicletas encostadas. O que já é um cartão postal da cidade. Considerado sim o principal meio de transporte, muitas são estacionadas até sem corrente de proteção. O engraçado é ver a galera chegando na balada com uma magrela e ainda com campainha. Ri demais!

magrelinha companheira da galera

A cidade é totalmente diferente do que já vi ou imaginei. Como diria a minha amiga Joellen "totalmente fora da nossa realidade". Fora as coisinhas bonitas de se ver em qualquer cidade turística, há um grande diferencial por lá. A legalização das drogas livre para todo mundo ver. Em todos os andarilhos você encontra os "coffes shops", o que, aparentemente, você acha que é um simples pub, entretanto ao invés de encontrar bebida, encontra-se o famoso cigarrinho do capeta. Alias, em muitos lugares não se aceita nem fumar cigarro, como em qualquer bar decente. A única coisa que pode ser fumada é a tal da marijuana...

"garçom, desce mais uma rodada de maconha ae!"

O estranho foi ver o 'menu' com diversos tipos da erva, desde os mais fracos aos mais fortes - o que leva é a preferência do cliente. E na minha inocência, vi uma lista de milkshakes e perguntei ao atendente qual era o melhor opção dentre aqueles nomes estranhos, ele nem ao menos falou, somente abriu um pote de erva e enfiou na minha cara para eu dar uma 'cheiradinha'. Então, achei que uma garrafinha de água seria mais ideal no momento.

APESAR da água ter descido maravilhosamente bem, decidi provar algumas especiarias 'holandesas'. Um bolinho de chocolate com haxixe, o que eles chamam de 'space cake' (ou 'bolo do espaço'). Bom, pelo nome já dá para se ter uma ideia de que efeito este pedaço tinha. O sabor é o mesmo, mas o efeito... parecia que tinha entrado em uma outra dimensão e não conseguia sair. Foi realmente agoniante. Os sentidos estavam a mil e aparentemente o meu corpo se mexia e eu ficava dentro dele só observando tudo, sem fazer nada. Minha mão estava fria e meu rosto queimando e tudo flutuava pesadamente. Eu enxergava tudo em ondas, como aqueles descanso de tela do Windows. É, papo de zé droguinha mesmo, mas não posso deixar de dar um certo testemunho a vocês. Se virem e entendam a nóia!

E falando em nóia... 

Fiquei de cara com as 'partes baixas' da cidade. Não sei se dá para se chamar do tipo, mas que eu chokay, eu choquei. Diversas mulheres de diferentes tipos e tamanhos em vitrines, esperando a clientela de baixo de uma luz vermelha e a frente de um pequeno quarto. Foi realmente bem engraçado vê-las ali, com minis roupas de baixo com corpos de dar inveja a qualquer um. Enfim... é isso ai, né.

MAS...

Deixando o mundo perdido de lado, em Amsterdam pode-se encontrar fatos históricos sim. Como o museu de Anne Frank. Para quem não sabe, ela foi uma judia que viveu escondida dos nazistas, na década de 40, durante a segunda guerra mundial, no sótão da empresa de seu pai juntamente com a sua família. E durante todo este período ela começou a escrever em seu diário, e depois em papéis soltos, sobre o seu cotidiano e sonhos de ser uma escritora de sucesso. As escritas se tornaram em um dos maiores bests-sellers da história. O lugar é arrepiante mas também cheio de emoção. Fotos, maquetes, cartas, vídeos, entre outros registros que dão para se refletir sobre o sofrimento e a esperança que as pessoas tinham, mesmo naquele estado.


bela
Outra atração mais do que mais imperdível é o museu do meu querido van Gogh. Jamais eu poderia deixar de prestigiar tudo aquilo de perto. Lá pode-se encontrar pinturas do próprio e trabalho de artistas que se inspiraram com a obra deste grande gênio. BUT, fiquei um pouco triste, pois a não encontrei a minha tela favorita, que seria a 'Noite estrelada'. Mas só por ter visto diversos autos-retratos, 'Os comedores de batata', 'Sunflowers', 'O quarto de van Gogh em Arles' e 'Almond blossom', já fiquei feliz demais. Pena que não podia tirar fotos no local, mas os postais já me deixaram com boas lembranças além da memória.

simplesmente fascinante

ÚLTIMO DIA

Domingão rachando na cara. Acordamos no susto às dez horas da manhã para fazer o check-out e não ter que pagar mais uma diária. Tivemos que socar as coisas nos mochilões e descer correndo pelas escadas cabulosas do albergue. Nem o banho deu tempo de tomar, no que resultou 32 horas sem ver uma gota d'água na cabeça e um cheirinho de cebo no cabelo. Apesar da determinada falta de higiene forçada, o dia foi bem proveitoso com muitas fotos e últimas andanças de 'um final de semana perdido' em um ótimo sentido.

Diversas ideias e conceitos mudaram durante a viagem, apesar de aparentemente ser só divertida, os pensamentos foram à outras dimensões também, ou, de certa forma, simplesmente a cabeça abriu mais um pouco. Sim, a vontade da volta e a saudade já está imensa. E que venham mais aventuras por aí! :)

Yes, I am!


domingo, 24 de julho de 2011

Primeiro dia em London

Oi, pessoas!

Bom, como alguns já sabem, agora estou em uma nova etapa da vida: vim morar em Londres! E, de acordo com as leis britânicas, eu só posso ficar nos próximos 11 meses por aqui (mas se eu arranjar um gringo gacto e cheio da grana, talvez isso mude!).

Hoje (data que estou escrevendo este texo, pois não sei quando irei posta-lo exatamente) é dia 24 de julho de 2011, às 00:39 exatamente. O tempo está semelhante com o que eu deixei Cuiabá - meio friozinho, ventando.

Tive quase 24 horas de viagem, não sei ao certo, porque esse fuso-horário me confunde muito. E aviso que foi beeem cansativa a vinda pra cá. Quase não dormi no voo, pois o dia aqui começa às 1h e pouco da manhã daí (horário de Cuiabá). Complicado!

O percurso de tudo foi de Cuiabá - São Paulo - Miadrid (Espanha) e finalmente London. O aeroporto espanhol de Barajaras é maravilhoso! Isso sim que é eficiência em questão de aviação (coisa que a gente não vê com muita frequência no Brasil). O mesmo digo para o daqui (apesar de eu ter ficado meio perdida).

Me senti na necessidade de dividir com vocês o que fazer e levar durante essas longas viagens. Vou resumir em tópicos:

- Leve sempre uma toalhinha de rosto na mochila. Elas são muito úteis em muitas situações, acreditem.

- Leve uma mochila (super importante!!)

- Se você não sentir fome na hora que servirem a comida no avião, guarde-a. Nunca se sabe a que hora você vai sentir fome de verdade.

- Contrate um serviço de translado antes de vir pra cá. O aeroporto fora da cidade, ou seja, longe de tudo! O mínimo de taxi que vocês vão gastar é de 100£.

- MP3 pra vida! Principalmente com algum álbum dos Beatles gravado.

- Câmera fotográfica na mão, off course.

- Um livro ultra legal! Pois tédio é o que não falta nessa viagem.

- Remédios para dor de cabeça. (me arrependi de não ter levado um comigo).

- Guia, mapa, ou qualquer coisa parecida.

- Uma blusa de frio. (Isso vai depender muito da época que você decidir vir. Como eu cheguei no verão, uma blusinha leve de frio de Cuiabá está de bom tamanho).

- E por fim, não menos importante, MUITA, mas MUITA disposição no corpo e alegria no coração.

Quando pisei nessa terra, eu nem acreditei! É muito sonho para um único acontecimento.

Tudo bem que passei algumas frustrações no aeroporto. Apesar de eu ter recomendado o serviço de translado, o meu atrasou um bocado! E eu tive que pagar 10£ para comprar um tipo de cartão telefônico dos infernos para não saber mexer. Sorte que o motorista chegou à tempo, antes de eu cometer a burrada de pagar um taxi e gastar tudo que tenho pra chegar na casa.

O motorista... este sim me intrigou. Não lembro o nome dele, mas ele é parquistanês. Deu para saber na hora que ele não era daqui, não somente pela aparência, e sim, pelo sotaque. Durante o grande trajeto que tivemos do aeroporto à casa, ficamos conversando um bom tempo. O que me deixou chocada? Ele nunca ouviu falar de Beates!!! Fiquei até sem graça depois que ele olhou para a minha cara de inconformada, falando "My God! How???". Enfim...

Atualmente estou em casa de família. Minha nova "mãe" se chama Monica Findlay. Ela é jamiacana, residente em Londres há muito tempo. Aqui mora a filha dela também, mas eu esqueci o nome dela. Há somente uma estudante, além de mim, aqui. O nome dela é Lylia e ela é russa. Todas foram muito simpáticas e receptivas. Uns amores!

A comida ainda é meio estranha pra mim. Muitas batatas no jantar e linguica com feijao no café... Mas, para evitar isso, comprei algumas frutas pela manha. Vou me forcar, a come-las. Juro!

A casa é bem estilo londrino de se ver: aparentemente um sobrado, porém onde moram duas famílias diferentes, uma em cima e a outra em baixo. Estreito, quartos amplos, escadas por todo canto, cozinha com armários e eletrodomésticos embutidos, e assim por diante.

Aqui é relativamente perto de tudo, como me disseram. Localizado na Zona 3, em Leyton, que é um pouco longe do centro, mas com estações de metrô próximas. Ainda não andei direito por essas ruas, pretendo levantar cedo amanhã (ou mais tarde, depende do ponto de vista) para dar uma de britânica e caminhar muito por aí.

Bom, é isso! Pelo pouco que vi das ruas, aqui é uma cidade maravilhosa que vale a pena todos conhecerem! Espero que os próximos meses sejam maravilhosos como a chegada.

Até a próxima!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Uma coisa puxa a outra

Ontem eu vi um vídeo que me deixou um tanto intrigada e me fez pensar em diversas coisas, como as vertentes da vida que encaramos com determinada distinção, porém que se cruzam em conseqüências do dia-a-dia.

Bom, para vocês entenderem melhor o que estou dizendo, aqui vai o próprio. Tirem suas conclusões ao ver, que em seguida darei as minhas.



Esta reportagem me remete alguns pontos de vista que se liga a alguns dos temas “que não dá para se discutir” na opinião pública: religião e política.

Em primeira impressão, pelo menos ao meu ponto de vista, vi que o pastor/pedreiro aproveitou de uma brecha equivocada da bíblia para se “aproveitar” de um fato socialmente condenável – o adultério. Porém, por trás disso traz há conseqüências que não se pode considerar exclusivamente erro do pastor, e sim, por três importantes fatores: do ensino de pouca qualidade aplicada no país, do direcionamento da reportagem e dos equívocos que a própria bíblia apresenta.

Vamos por partes. Que tal começarmos a falar da tão temida política? Esta que está presente no cotidiano das pessoas desde os tempos mais primórdios, no qual tantos teóricos se propõe a explicar.

Segundo estatísticas do IBGE, quase a metade de crianças e adolescentes, mais precisamente 42%, abandonam as escolas antes de concluir o ensino-médio para trabalhar e ajudar em casa, e grande parte delas vêm de escolas públicas, o que já estamos carecas de saber que não há qualidade suficiente para o mercado de trabalho. E isso resulta nos afazeres braçais, nos quais não se exige tanto o lado intelectual da questão.

Creio que este pedreiro está dentro destes números que se fazem a maioria no país. É fácil dizer que o homem é um ‘malandro, crente safado’, entre outros, sendo que não acompanhamos o cotidiano deste trabalhador, que, muito provavelmente, a vida não lhe ofereceu oportunidades de se ter uma boa educação a ponto de ler e entender corretamente o que se diz em uma estrofe da bíblia.

Além de todas estas questões que infelizmente são presentes até hoje, em pleno séc. XXI, ainda temos que encarar reportagens totalmente tendenciosas, que estimulam o telespectador a pensar de tal forma, com pouco esforço e de extrema sutileza.
Acho que quase todo mundo sabe da rivalidade entre a Globo e os evangélicos do país, ou melhor,da Record, cujo dono é pastor evangélico, Edir Macedo. Apesar de parecer um tanto curioso, há de se fazer uma ligação em cima destes fatos.

A monopolização da comunicação brasileira faz com que determinada emissora (Globo) se apresente apelativa em alguns casos, como este, por exemplo: Ridicularizando um simples trabalhador por um equívoco ocorrido, manchando ainda mais a imagem do pobre no país, em troca da permanência no poder injusto, que deveria estar concentrado no povo. É claro nas entrelinhas da matéria que Justino, o pastor/pedreiro, tentou buscar o tipo de sabedoria profunda dentro de conceitos religiosos, lidos diretamente do livro mais famoso de todos os tempos: a bíblia. Esta que, apesar de apresentar diversos exemplos de vida para a sociedade, não é vista por mim, como um bom caminho para a tão almejada ‘salvação’.

Em minha adolescência tive um breve estudo sobre a bíblia, e comecei a ver contradições nos capítulos estudados e ensinamentos que já não são tão aplicáveis para os tempos de hoje. Dentro disso tudo começou em mim uma certa rejeição a ela.
Para começar a discussão, a própria foi escritas por homens, como eu, como você, que têm pecados, que cometem erros e que são totalmente vulneráveis aos “prazeres errados” da vida.

Para provar o que acabei de falar, a bíblia em suma considera a mulher algo de exclusivo uso do homem, aplicando limitações na vida até intelectual desta. Desculpe-me os religiosos que seguem a risca os ‘ensinamentos sagrados’, mas esta é a realidade, não é? Aqui vão as estrofes:

"As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor.... Como, porém, a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido" (Efésios 5:22,24).

"Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor" (Colossenses 3:18)

"Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vosso próprio marido..." (1 Pedro 3:1)

Que Deus seria esse, injusto, que dá o poder de pensar a ambos os sexos e dá regalias a uns e limitações a outros? Deus não prega a igualdade, a perseverança e o respeito ao próximo? Acho que isso é muito bem aplicável nestes âmbitos.

E tem outra, se a bíblia é tão sagrada assim, por que, além de ser registrada por homens (como eu disse anteriormente) ela é escrita em meras folhas, sendo que tem gente que até interpreta uma receita de bolo diferente? Sem contar no fato de que ela existe a dois mil anos e antigamente, nas missas, era lida em latim, no qual praticamente ninguém entendia absolutamente nada do que era pregado, apenas se informavam através de padres corruptos e inquisitórios. Esta, segundo a história, só começou a ser traduzida por Martim Lutero, no séc. XV, para o alemão, sendo que o mesmo era aliado da monarquia, que tinha lá seus interesses próprios que nem cabe aqui discutir.

Enfim, juntando tudo isso e mais um pouco que ronda a minha cabeça neste momento: é justo julgarmos o estudo, a crença e a ignorância da grande maioria pobre no país? Brasileiros que não tiveram contato com a melhor educação que o mundo poderia oferecer, mas que as ocasiões não permitiram. Além de existir ainda pessoas que obtém todo o ensino que a vida proporciona e ainda se sentem no direito de chacotear os que não tiveram as mesmas oportunidades, por puro capricho que se espelha na repressão vivida nos mil anos de trevas da inquisição aplicada pela própria igreja, alegando os ensinamentos sagrados da bíblia.

Uma coisa puxa a outra e a história se repete. Estamos verdadeiramente vivendo em uma democracia e também na liberdade de expressão? Realmente são essas e outras coisas que ainda são maquiadas, no qual os poderosos fingem que respeitam e nós fingimos que obtemos destas “regalias”.

Era isso.

terça-feira, 15 de março de 2011

Primeira parada: Venezuela

Viagens, viagens, viagens... Por mim, viveria assim pra sempre. Passando de um lugar para o outro, conhecendo gente, partes diferentes do globo e até ares novos.
Recentemente eu fiz minha primeira (de muitas, assim espero) viagem internacional, juntamente com os meus familiares. E o destino foi: Venezuela.

Sim, o lugar não tem lá uma fama das melhores, começando pelo governo. Mas, apesar de todas as notícias corriqueiras sobre a nação, descobri outro lado da moeda, diferente dos que costumam falar pelas mídias afora.

A CHEGADA

Depois de quase dez horas de viagem, chegamos exaustos em Caracas, a capital venezuelana. A cidade estava cinza e relativamente fria, porém deu para se perceber o ar ‘caliente’ desde que entramos no taxi – que, vamos respeitar, eram totalmente diferente dos ‘carrinhos’ de nada do Brasil. Dentro dos carros o mambo e a salsa tomavam conta das rádios bolivarianas, caracterizando bem o que, eu, pelo menos, pensava da cultura de lá.


Pelas ruas, me veio uma vasta semelhança com o Rio de Janeiro: muita favela em cima de muito morro. Mas pelas simples casinhas via-se muitas cores nas paredes, o que dava uma cara diferenciada, algo um tanto mais ‘alegre’, ao local.

Ruas de Caracas

O hotel em que ficamos era merecidamente cinco estrelas. Vocês podem estar pensando que eu sou rica agora. Não, gente. Lá é tudo absurdamente barato. Um real é o equivalente a três e noventa bolívares. Ou seja, fizemos a festa mesmo! Entrei no quarto encantada. O banheiro? Ah, o banheiro... tinha uma linda banheira com água quentinha me chamando a todas as poucas horas que fiquei hospedada. Porém, só o vaso sanitário que não me familiarizei, por ter vários botões que colocou até minha mãe em apuros.

Vaso complicado...


Dando de descolada no hotel


Foto pensante...


Corredor do 'Iluminado'

COMIDA E BEBIDA

A comida, logo de cara, percebemos que não tinha muito tempero, sendo assim, o sal foi muito usado. Havia uns bolinhos de trigo e milho (igualmente sem sal, porém muito bons) que eles chamam de Arepa. Para quem for lá, não deixem de experimentar. Eles são muito bem servidos quentinhos e com manteiga, esta, uma das melhores que já provei.

Quanto a bebida, serviam uma cerveja que trazia no rótulo um urso polar e que dispunha de um gosto um tanto amargo. Ah, ela se chamava ‘Polar’. Mas eu gostava mesmo era de uma “Mitchelada”, mais conhecida como “Cosmel” pelas bandas daqui. Ou “CDB”, para os mais botequeiros.

Arepa

Mitchelada!

Polar

MIRAMAR HOTEL

No dia seguinte, fomos direto ao aeroporto nacional e partimos para Isla de Margaritas. Para quem não sabe a “Ilha das Margaridas” localiza-se no Mar Caribenho, famoso pelas suas águas azuizinhas e imagens paradisíacas.

Chegamos à cidade de Porlamar, capital do Estado. O ‘ressort’, chamado Miramar Hotel, que havíamos reservado ficava a mais ou menos 40 minutos do aeroporto, ou seja, mais uma ‘viagem’ de carro. Chegando lá foi um sacrifício para toda a família se comunicar com os venezuelanos, pois ninguém sabia falar castelliano, então, lá foi eu treinar um pouco do meu pobre inglês. O interessante nisso é que apesar do país ser relativamente pobre, praticamente todos os que eu me comuniquei dentro desta uma semana falavam inglês muito bem, obrigada. Até as faxineiras (sem querer desmerecer, mas vocês sabem do que falo) entendiam.

Miramar de longe


Miramar de perto

Então, a praia do ressort era linda. Tudo bem que nos dois primeiros dias enfrentamos uma chuva muito chata, daquelas que iam e voltavam do nada. Entretanto, nos demais foram acalorados com muito sol, o que cooperou com a paisagem e com o meu bronze também.

Praia no frio


Praia no calor


As coisas chatas – realmente MUITO chatas – foi que tudo lá havia regras e horários. Por exemplo: não podíamos pegar nem um pouco de batata frita para levar à beira da praia, para comer como petisco. NÃO HAVIA CAMARÃO. Quantos aos horários, somente a partir das 11 horas que eles liberavam as bebidas. Essas dispunham de cerveja e coquetéis, um em especial – que tinha até uma música bem tocada nas rádios de lá – que se chamava Piña Collada. O que isso significa? Abacaxi alguma coisa...

Para acompanhar a bebida, havia apresentações culturais todas as noites no hotel. A primeira foi com uma dança típica da Venezuela, chamada Joropo. Deu para se lembrar um pouco do siriri e cururu cuiabano, por conta das roupas coloridas, das saias rodadas, do ritmo a dois, entre outros. Só o som que eram verdadeiros hinos do país, pelo fato das pessoas cantarem com até muito louvor, reverenciando o país. Muito animado e bonito. Todavia, nos demais dias eu queria morrer. Sabe vergonha alheia? Então, senti muito isso nesses horários.

As apresentações se diferenciavam em temas. Um dia rolou um show de comédia pastelona, outro era dança espanhola (bem aquele “bomboleioooo, bamboleiaaaa”), outro era uma imitação barata de “Grease – Nos tempos de brilhantina”, e assim por diante. O pior de tudo era que sempre depois desse inferno eles chamavam uma galera do público para dançar em cima do palco o “Chiuaua”, o que tive a infelicidade de dançar pra todo mundo ver no primeiro dia. CAPETA DE MÚSICA QUE NÃO SAIU DA MINHA CABEÇA ATÉ O FINAL DESSA VIAGEM!

Dancinha da desgraça...

COMPRAS E MAIS COMPRAS

Uma das partes mais legais foi ir às compras! Fomos ao shopping na cidade fizemos a festa. Muito bom estar em um país com a moeda bem mais desvalorizada que a sua. Apesar da cidade ser pequena, tinha muitas lojas de grife que não se encontra nem em Cuiabá! Como a Victoria Secrets, Kipling, entre outras que desconheço (desculpem, mas não sou muito ligada a marcas. Fiquei um pouco por dentro agora...).

Foto de 'pose que mamãe mandou'

O centro da cidade também havia bastante loja bacana, porém muitas não eram de ‘grife’. Comprei algumas coisas que estarei precisando futuramente a preço de banana. Tem a parte engraçada também em muitas dessas lojas, que são os manequins. A maioria são igualmente trabalhadas dentro do padrão de beleza venezuelano: peitudas, muito peitudas.

Peitólas...

Mudando um pouco o foco, dentro desse pequeno passeio pela cidade vi a rotina porlamariana... Os ônibus pareciam aqueles “School Bus” amarelo, entretanto bem mais desgastados. Eram filas e filas destes sempre bem lotados. O trânsito era até mais infernal do que estamos acostumado, sem muitas sinalizações e regras – diferente daquele ressort dos infernos.

E tem gente reclamando do bus de Cuiabá

TURISMO

Lá pelos últimos dias fomos fazer um passeio turístico pela ilha. Com um jipe branco quase caindo aos pedaços e tendo o Alejandro como guia conhecermos lugares históricos, como o La Galera, uma fortaleza espanhola instalada há 200 anos durante a guerra, além de praias maravilhosas que faziam parte do caribe venezuelano tomaram conta dos meus olhos.

La Galera 'ueba!'

Águas incrivelmente azuis e limpinhas. O triste é saber que toda aquela paisagem tinha pouca estrutura. Como na ‘Playa Punta Arena’, havia um modesto restaurante que não tinha água encanada e energia instalada. Uma vergonha para um país que se orgulha de ser o terceiro maior exportador de petróleo do mundo. Apesar de todos estes ‘contra tempos’, tudo foi muito bom e até encantador, sim.

Praia caribenha

Restaurante sem estrutura, mas bonito

Fomos embora na manhã de um sábado corrido e caloroso. Foram praticamente 24 horas de aeroportos e vôos para chegar de volta à Cuiabá e finalmente deitar na minha caminha saudosa.
Sim, a Venezuela é um país bom para se visitar, mas infelizmente não voltarei tão cedo, pelo menos a passeio. Mas tudo valeu a pena demais, principalmente pela paisagem linda que o país proporcionou. É, a primeira vez a gente não é para se esquecer...

Tchau, Venezuela! Foi bom te conhecer!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Visões do mundo


Está aí um hobbie que se tornou 'coisa séria' em um curto espaço de tempo. Houve uma época em que eu nunca tive um maior apreço por tirar fotos, apenas admira-las através de outros olhares. Porém, eis o dia em que eu resolvi estudar comunicação e tive um contato maior com esta arte tão fascinante, que me pegou de uma forma que eu não consigo largar mais.

Neste link você pode conferir alguns trabalhos meus. Ainda estou atualizando aos poucos - pois há um limite no flickr não pago -, mas aguardem por mais novidades! Basicamente estas são as minhas 'obras de arte'. Umas feitas por hobbie, outras feitas a trabalho, porém ambas elaboradas com muito amor, carinho e dedicação.

Sim, isto é um tipo de propaganda. E quem quiser contratar meus serviços, o contato é este: (65) 8414-3623.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Miles Davis & John Coltrane - Kind of blue




Escutar Coltrane na madrugada é a melhor coisa que tem.

Apesar da música parecer um pouco "deprê", eu não paro de escuta-la e mesmo assim estou feliz demais. Obrigada a todas as energias positivas que me rondam!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amanhã vai ser outro dia...


Vou tentar não ser tão piegas neste post, mas é que eu achei interessante deixar registrado isso tudo que está acontecendo em algum lugar. E nada mais natural que no meu blog. Quanto à viagem ao Rio de Janeiro, vai ficar para uma próxima oportunidade, pois foi um tanto “decepcionante” para uma “cidade maravilhosa”.

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Enfim, jornalista. Agora sim posso selecionar "superior completo" nas fichas de preenchimento em geral. O que eu sinto com isso? Bom, minha vida mudou muito de um ano pra cá. Tanto que eu mal esperava que a rotina fosse esta: parada e sem muitas atividades como de costume. Mas tudo bem, não me queixo de jeito maneira. Novos planos estão por vir.

Estou aqui para contar um pouco sobre como é estar neste estágio da vida (pelo menos no meu ponto de vista). Ontem foi o meu baile de formatura no qual eu dividi com as minhas colegas de sala Amanda Chamorro, Camila Cecílio, Luana Silveira e Thalita Bruno, que como eu, são as novas "jornalistas do pedaço". Então, já devem ter uma ideia de como estou agora: “feliz por demais”.

Apesar de todo o sentimento de alívio, algo como "Até que enfim estou livre dessa!", me veio uma certa saudade de comprar cadernos, livros e canetas novas para um novo início de ano letivo. Tomara que isto logo passe. Rs.

Mas falando em coisas certas, nestes quatro anos acredito que formei uma personalidade mais forte e mais centrada. Apesar de todos os desmoronamentos, brigas e todos os adjetivos possíveis para a palavra "sofrimento" terem ocorrido neste meio tempo, acho que tudo compartilhou para que fosse possível criar algo grandioso dentro, não só de mim, mas, de cada um que concluiu esta faculdade junto comigo.

Sinceramente, neste momento, não sei se exercerei a carreira de comunicóloga. Dúvidas e crises ainda percorrem minha cabeça, e o ânimo, acreditem, não está lá dos melhores. Por estes e outros motivos que estou buscando outras alternativas, opções que mudam um pouco o meu planejamento de vida de quatro anos atrás. Não dou mais detalhes, pois ainda estou trabalhando nisso. Então, só peço sorte e determinação nesta nova jornada.

Estou feliz pela minha vitória, muito mesmo. Às vezes penso que poderia fazer diferente em alguns momentos que se passaram, mas acredito que nada teria o mesmo encanto, a mesma essência...

Eu só quero agradecer a cada um dos professores e colegas que passaram pela minha vida nestes quatro anos. Acho que o essencial é tudo para a formação de grandes profissionais e amigos. E lembrando que a conclusão de um curso não é o final, mas sim o começo de muitas etapas que vêm pela frente.


"Assim eu juro!"

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"Minha alma canta"

Já são três horas da manhã e meu sono ainda não se manifestou. Daqui a pouco terei de acordar para uma viagem.

Viagem...

Esta madrugada, em especial, me veio diversas lembranças. Dentre elas o meu sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Lembro-me certa vez, quando eu tinha lá meus doze anos de idade, que eu havia recortado numa dessas propagandas de turismo de revista a foto panorâmica da "cidade maravilhosa" e colei na porta do meu guarda-roupas. Uma daquelas manias pré-adolescentes de ficar sonhando acordada em diversos momentos do dia.

Bom, agora sim poderei ver muito além d'aquela imagem.

Não tenho muitas ideias para esta postagem. Na verdade estou escrevendo para aqueles que não conhecem muito bem a bossa nova. Digo por experiência própria que o contanto direto - digo direto de "você e a música", e não "você, uma novela de Manoel Carlos e a música") - com este estilo musical é apaixonante e inspirador. Recomendadíssimo. Sem contar que é super "Rio de Janeiro" também, ou seja, tudo a ver com o meu momento atual.

Aqui vai uma música de Antônio Carlos Jobim na voz de João Gilberto. Dois grandes nomes da música brasileira e precursores da bossa nova. Vale muito a pena se perder nestas dedilhadas de violão que compõe melodia doce da canção (opa! rimou).

João Gilberto - Samba do Avião





Minha alma canta,
Vejo o Rio de Janeiro,
Estou morrendo de saudade.
Rio, teu mar, praias sem fim,
Rio, você foi feito pra mim.
Cristo Redentor, Braços abertos sobre a Guanabara.
Este samba é só porque, Rio, eu gosto de você,
A morena vai sambar, Seu corpo todo balançar.
Rio de sol, de céu, de mar,
Dentro de mais um minuto estaremos no Galeão
Este samba é só porque,
Rio, eu gosto de você,
A morena vai sambar,
Seu corpo todo balançar.
Aperte o cinto, vamos chegar,
Água brilhando, olha a pista chegando,
E vamos nós.
Pousar

Fonte: Vagalume

Obs: Quem sabe, quando eu voltar, eu possa dividir algumas de minhas aventuras culturais com vocês.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Arnaldo Baptista - Vou me Afundar da Lingerie

Só porque estou inspirada hoje.



Rio, here I go!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Serial killers

Já li muitos romances, contos, novelas, etc. Mas, assumidamente, adoro biografias, sejam elas quais forem. Dentre tantas histórias de diferentes pessoas que já habitaram (ou habitam) este "mundinho de meu Deus", em particular gosto de saber sobre a vida de serial killers - ou matadores em série, se preferir.

Na verdade esta é uma 'paixão' mal compreendida, pois muitas pessoas se assustam por estes meus gostos um tanto 'inusitados', porém com muito fundamento.

Sou um tipo de 'pesquisadora virtual' que adora coisas fora do comum. Afinal, por que pesquisar algo que todo mundo sabe? Adoro resgatar histórias que já não são mais contadas, reportagens que já não são mais transmitidas e ler livros que já não são 'best sellers'.

Ok, ok. Acho que já dei uma breve explicação sobre o porquê de ter este tipo de gosto, então vamos ao que interessa:

Pelo fato de meus dias de 'férias forçadas' estarem sem ter muitas atividades, resolvi pesquisar mais sobre estas mentes macabras que buscam através de estratégias (diríamos algumas vezes "geniais") para escolherem as suas vítimas de forma até um tanto minuciosa.

O mundo já presenciou práticas sangrentas de serial killers, como os até hoje não-indentificados "Jack, o Estripador", que aterrorizou a vida de prostitutas nas ruas de Londres, "Zodiaco", o maníaco que escolhia suas vítimas pelo signos. Ou os mais conhecidos mundialmente, como o assassino charmoso Teddy Bundy, Charles Manson, um dos maiores mentores intelectuais de um grupo que chamava de "Família Manson", entre tantos outros.

Através de minha mínima pesquisa, percebi que boa parte destas histórias macabras, mais divulgadas pela imprensa, foram sentenciadas em terras norte-americanas, porém vi também que o Brasil já teve lá seus "filhos ingratos".

Um dos mais famosos é o "Bandido da Luz Vermelha", o serial killer que tem até um filme de terror contando sobre os seus crimes. Mas, queridos leitores, ele já não me assusta tanto. Recentemente vi alguns documentários no canal de TV fechada "Discovery Channel" falando sobre Marcelo Costa Andrade e Francisco de Assis Pereira, ou melhor, o Vampiro de Niterói e o Maníaco do Parque, respectivamente.

O enredo deste ‘thriller’ todo não é lá dos mais agradáveis. É de se chocar MESMO. Porém é algo muito interessante de se saber sobre até onde a mente humana é capaz de chegar para satisfazer algum tipo de prazer, seja ele estranho ou não.

Aqui vão os vídeos em sequência sobre os assassinos em série. Ambos tinham gostos distintos sobre as vítimas. O maníaco gostava de morenas e o Vampiro se interessava por meninos menores de idade. Enfim, espero que pelo menos alguns gostem deste post.

Atenção: somente para maiores de 18 anos e para os que tem estômago bom, ok?
O MANÍACO DO PARQUE


Parte I




Parte II




Parte III




Parte IV





O VAMPIRO DE NITERÓI

Parte I




Parte II




Parte III




Parte IV



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Mazzaropi - O Jeca Tatu (trecho)

Aqui vai um trecho do filme Jéca Tatu (1960) estrelado pelo eterno Mazzaropi.

Me lembro quando era bem pequena e alguns filmes do Mazzaropi passava no canal Bandeirantes (ou era na extinta Manchete?) quase que diariamente. Meu pai era simplesmente fissurando por ele! Não perdia uma transmissão se quer, e sempre rachava o bico durante o vídeo. Boas lembranças...

Estou postando este em especial pois usei ele no meu documentário de conclusão de curso. Alias, a minha apresentação será nesta segunda-feira (06), às 10h30, em algum lugar obscuro na Unic. Ninguém está convidado, mas gostaria de receber energias positivas neste horário, tudo bem?

Espero que gostem do vídeo como o meu pai :)


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Vídeos do show - Paul McCartney Up and Coming 2010

Aqui vão alguns vídeos que consegui gravar durante o show. Tudo está bem mau gravado, além da minha 'linda' voz cantando ao fundo, mas vale a recordação.

LET IT BE



ELEANOR RIGBY




LIVE AND LET DIE




THE LONG AND WIDING ROAD




Cá está um pouco do sonho que não acabou...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um sonho realizado


Transportar emoções reais para uma breve quantidade de linhas é uma coisa extremamente difícil, ainda mais quando se trata da maior já vivida. Sou beatlemaniaca de corpo e alma a mais de dez anos, e sempre almejava ir a um show de qualquer um deles vivos – já que não posso vê-los reunidos em um único palco. Isto virou até um objetivo de vida, do tipo “não posso morrer antes de isso acontecer”. Bom, leitores, eis que um sonho foi realizado no dia 22 de novembro de 2010. Eu, Simone, fui ao show da turnê “Up and Coming” de Sir Paul McCartney.

Foram 12 horas de fila, enfrentando um tempo inconstante. Ao lado do fotógrafo e amigo Tchélo Figueiredo, vimos que São Paulo, a “terra da garoa”, se mostrou além de seu apelido. Houve horas que a “garoa” engrossou e todos tiveram que enfrentar um “toró d’água” (sem esquecer o cuiabanês). Mas fã que é fã enfrenta até canivetes! E sem distinção de idades. Prova disso foi que durante o tempo na fila percebi diversos pais, avós, netos, filhos, entre outros. Ao meu lado, por exemplo, havia um casal de velhinhos firmes e fortes, encarando as mesmas dificuldades como qualquer outro.

Entrando no enorme estádio do Morumbi, fiquei impressionada com o mar de pessoas espalhadas entre as cadeiras, pistas e áreas vip. Todos gritando muito por conta da emoção de estar lá, na frente de um palco gigantesco, considerado um dos maiores já montados na América Latina. Todo o meu esforço foi compensado quando finalmente consegui o melhor lugar para quem estava na pista: a grade! O que deu para ter uma visão muito boa de lá.

O tempo parecia não passar, pois ficar horas em pé na chuva não é para qualquer um. Até que, com apenas 12 minutos de atraso – o show estava marcado para as 21h30 - as luzes acenderam, e entre elas, trajado de muita elegância com um paletó roxo, a estrela “more” da noite apareceu. Paul McCartney iniciou com Magical Mistery Tour, do álbum homônimo. Logo de cara deu para sentir que a apresentação não seria pouca coisa.

Comecei a chorar feito uma criança de tanta emoção. Carregando o seu mítico baixo em forma de violino, companheiro desde a época dos Beatles, Paul não decepcionou nem um minuto se quer.

Até arriscou falar em português. Tudo bem que deu para ver claramente que ele estava lendo no chão, mas quem se importa?! Tudo foi muito perfeito e todos foram ao delírio com cada brincadeira ou fala que ele fazia. Também não era por menos ter uma platéia lotada de fanáticos, creio que se ele fizesse o mínimo já seria o máximo para todos.

Tocou sucessos pós-beatle, da banda Wings e até da carreira solo, como “Jet”, “Rock Show”, “My Love” e “Venus and Mars”, o que levantou o público de diversas formas que seguiam o ritmo da batida. Entretanto, o momento em que quase fiquei sem respiração foi na música “Live and Let Die”. Acompanhada com fogos de artifícios tudo levou ao inevitável delírio da galera extasiada. Mas não posso mentir, leitores, quando os acordes dos quatro garotos de Liverpool tomaram conta dos instrumentos, a multidão foi quase à loucura, cantando tudo em uníssono.

Músicas como “All My Loving”, composição lendária da dupla Lennon/McCartney, “Drive My Car”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Back in the U.S.S.R.”, “Eleanor Rigby”, “The Long and Winding Road”, “Two of Us”, “Get Back”, as marcantes “Hey Jude” e “Let It Be”, entre tantas outras 23 músicas dos Beatles, só começou a aumentar ainda mais a emoção de 64 mil pessoas presentes no estádio.

Apesar de todas essas músicas fazerem uma verdadeira volta no tempo, um dos momentos mais fortes da apresentação foi quando o músico homenageou os ex-parceiros. A canção feita especialmente para Lennon, “Here Today” arrancou rios de lágrimas do público, inclusive de meus olhos. Mas “Something”, em memória de George Harrison, também não ficou por menos, ainda mais quando começou a passar diversas fotos do ex-beatle no telão. A emoção foi inexplicável.

A última parte do show, mais uma vez leu no chão do palco: “Vamos embora”. Isto foi automático, arrancando vários “No” misturados com “Não” do público. Mas o inevitável e nada esperado chegou. As últimas músicas tocadas foram “Yesterday”, “Helter Skelter”, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “The End”, este último bem característico para um fim de show.

Bom, com certeza não passei nem um décimo da emoção que tive neste dia. Tudo isso me provou que a beatlemania ainda não morreu. Alguns dias se passaram e ainda estou anestesiada com a apresentação, pensando se vai ser possível ver uma próxima. Este, sem dúvida, é um tipo de acontecimento que será dividido com os meus filhos, netos, bisnetos... E eternamente estará em uma linda parte de minhas maiores lembranças.
Obs: Este texto foi publicado no jornal Folha do Estado no dia 25/11/2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Na maior brisa...

Em comemoração ao meu "semi-término" do vídeo do TCC2, aqui vai algumas músicas selecionadas por mim esta semana para o blog Brisa Musical. Alias, estou escrevendo frequentemente para esta página. Para quem quiser conferir sugestões de músicas de boa qualidade, internacionais e nacionais, bastam acessar nesse link aqui: http://brisamusical.tumblr.com/

A seguir, o texto na íntegra e as músicas

Sim, existem muitas trilhas sonoras que marcaram diversos momentos de nossas vidas. Elas são mais que excenciais para complementar a cena de um filme e dar mais emoção para este. Como por exemplo: o que seria do clássico Casablanca sem As Time Goes By? Esta música, composta por Herman Hupfeld, já teve inúmeras versões cantadas, como por exemplo John Lennon, Louis Armstrong, Rod Stewart, Frank Sinatra, entre outros, e com certeza todo mundo já a ouviu em algum lugar. Lógico que há milhares de outras canções que estarão fazendo falta nesta playlist e talvez vocês se perguntem sobre as instrumentais, como o clássico violino agudo de ‘Psycho’. Pois então, a seleção aqui foi feita especialmente às vozes das décadas de 1920 a 1960. Quem sabe em uma outra oportunidade os intrumentos venham à tona em um dos posts. Espero que apreciem.

http://listen.grooveshark.com/#/playlist/Cl+ssicos+Cantados+do+Cinema/38588256

domingo, 17 de outubro de 2010

Nova rotina

É engraçado observar mudança de fases. Um dia você está com a sua rotina intacta e no outro tudo muda, tudo se transforma. Meus dias mudaram quase que completamente, e aquela vida que era baseada em planejamentos anda um tanto desregrada. Apesar de não ser de meu feitio, estou gostando desta nova alternativa.
Não estou mais trabalhando. Sai da redação semana passada e sinto saudades. Mas ao mesmo tempo sinto aquela sensação de "missão cumprida". Acho que na vida há fases que devem ser passadas e levadas como aprendizado eternamente, porém tudo obrigatoriamente passa e não volta mais.
O meu dia-a-dia resume-se em: casa, faculdades e botecos jamais idos em dias de semana. Vida boêmia à ativa! Não que eu me orgulhe disso, mas a bebida às vezes é capaz de colocar nossas ideias no lugar. Mas ressalto: isto é só para os fracos. Juro.
Estou cheia de planos, que me alimentam a cada dia - e que os alimento também. Nunca fui boa com surpresas, mas quando elas aparecem sempre são bem-vindas, sejam elas boas ou ruins. Estou deixando alguns “demônios” de lado e esperando para ver o que me acontece com o tempo.
E o tempo? Ah, este sim está ao meu favor. Tive algumas desavenças com ele meses atrás, mas parece que agora nós podemos ter uma relação saudável, de igual para igual, e ainda conversar sempre que quisermos colocar tudo no seu devido lugar. Gosto disso.

E para representar um pouco esta minha “nova fase”, deixo uma música para vocês. Ela me acompanha todas as manhãs, quando acordo. Espero que agradem a vocês também. O artista se chama Francesco “Franz” Farina. Um italiano que conheci recentemente. Depois confiram mais vídeos dele, não vão se arrepender.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Concertos Populares da Orquestra do Estado de MT


Este final de semana, mais precisamente no dia 21, estive na cidade de Sapezal, interior do Estado, para conferir o último dia da turnê da Orquestra. Acompanhei todos os detalhes da apresentação - inclusive o churrasquinho pós-espetáculo na casa dos Maggi, além das bebedeiras noturnas nas ruas e nos botecos perdidos do município, hehe.
Todos os músicos, produtores, enfim, as pessoas que fizeram parte do projeto foram super receptivas, me senti em casa.

Enviada especialmente para pegar as impressões do evento, fui toda meio acanhada mas confiante, enfrentando horas de estrada para ver tudo de pertinho. O texto a seguir será capa do Folha3, da Folha do Estado de amanhã. Mas para vocês conferirem com antecedência, vou postar aqui. Depois me falem o que acharam, sei lá :)

Não levei a câmera para tirar fotos, pois a minha mala estava muito pesada - sabe como é, né? Produtos de sobrevivência e tudo mais me impediram de levá-la... -, então peguei uma do blog oficial do concerto, que você pode acessar aqui. O crédito vai para Rosano Mauro.


Agora, chega de delongas. Confira o texto:

A volta dos Concertos Populares da Orquestra do Estado de Mato Grosso, que está na ativa desde 2005, foi marcada por muita admiração do público mato-grossense. Passando pelos municípios de Cuiabá, Campo Verde, Rondonópolis, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Campo Novo, e por fim, em Sapezal. O Folha3, a convite da Orquestra, esteve presente nesta última cidade, no dia 21 (sábado), para conferir as impressões e o resultado desta turnê que tem como objetivo levar a música de concerto para o público em geral.
Localizada na região norte do Estado, Sapezal fica a 480 km da capital. Apesar da cidade ser relativamente pequena, com os seus 14 mil habitantes, a Orquestra, juntamente com uma grande estrutura de palco e luz digna de uma grande apresentação, conseguiu chamar uma parte considerável da população. O público se acomodou em todas as cadeiras disponíveis e como pôde para apreciar o espetáculo.

CONCERTOS POPULARES

A Orquestra, regida pelo maestro Leandro Carvalho, preparou o Concertos Populares com a intenção de alcançar o grande público, e assim, popularizar a música de concerto com grandes profissionais do ramo.
“Todo ano as apresentações são especiais para esta proposta. Para se ter uma ideia, em seis anos nós fizemos mais de 450 concertos e nunca repetimos o repertório”, revela Carvalho, que procura levar músicos já acostumados com a rotina pesada de ensaios. “Por isso buscamos grandes profissionais que são treinados a sentar e tocar”, completa.
No total de oito cidades percorridas, inclusive a capital, a Orquestra se apresentou em praças e locais públicos, com um repertório que viajava pelos vários cantos do Brasil, indo de norte a sul, provando ainda mais que o país se mostra multi-cultural, principalmente em se tratando de música.
Dentre as composições selecionadas, constaram cirandas de Lourenço da Fonseca Barbosa, as marchinhas carnavalescas da revolucionária Chiquinha Gonzaga, o frevo do maestro Elpidio dos Santos, as canções folclóricas de Gregório Molina (1938) & Mario del Tránsito Cocomarola, as gauchezas de Gilberto Monteiro e R.S. Rios - que tirou longos suspiros do público, que em sua grande maioria era de origem sul-rio-grandense.
Não faltaram também as cuiabanisses fortes e animadas de Tote Garcia e Mestre Albertino, canções que se mostraram mais marcantes no repertório. Por fim, mostrando o Brasil central, foram executadas composições de Roberto Corrêa. Ele esteve presente nos concertos pelo interior do Estado ao lado da Orquestra, mostrando o melhor da viola caipira e da viola de cocho.
A junção destes dois instrumentos obteve um resultado singular. A mistura do clássico erudito do violino com as dedilhadas da lisa canção da viola caipira e das graves violas de cocho formou um casamento inspirador, firmando a proposta do repertório: a de levar a música a população, mostrar que a Orquestra também atende ao gosto de um público de diferentes tribos e idades.

PÚBLICO

O jovem estudante Tiago de Matos Santos, de 14 anos, esteve presente na apresentação e demonstrou atenção a cada nota tocada e regida pelo maestro Leandro Carvalho: “Achei ótimo por ter vários instrumentos. Eu nunca tinha visto este tipo de apresentação, é uma novidade para a minha cidade e uma oportunidade única para conhecê-los. Espero que eles voltem mais vezes”.
Quem também se cativou pelo espetáculo foi a professora aposentada Maria Shirley Capelari, de 70 anos. “Este espetáculo é importante para a cultura de Mato Grosso. O povo de Sapezal necessita de apresentações assim. Achei uma excelente ideia”.
A energia que a Orquestra passava através das canções, mostrando uma faceta da ‘brasilidade’ do nosso país, estava estampada nos olhos atentos de cada pessoa presente no público de Sapezal. A resposta disso tudo foi reconhecida ainda por Leandro Carvalho, que disse estar satisfeito com o resultado de toda a trajetória dessa turnê.

SITE

Para conferir mais impressões através de fotos e vídeos feitos durante os espetáculos dos Concertos Populares 2010 e também para saber das próximas apresentações, acesse o site da Orquestra: http://www.orquestra.mt.gov.br/omcj/bra.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Edith Piaf - Non, Je Ne Regrette Rien

Depois de uma tentativa frustrada de postar aqui um texto sobre Alberto Caeiro, vou colocar uma música que quero muito mesmo escutar futuramente com muito sentido.
E a voz da vez é de Edith Piaf...
A música que aqui coloco fala muito de "não-arrependimentos", o que eu acho muito válido em vários momentos da vida - apesar de também muitas vezes dar vontade de voltar e fazer tudo de outra forma.
Ah, depois eu quero escrever um texto sobre ela... a história desta linda cantora francesa, que foi retratada também no filme de 2007 chamado Piaf - Um Hino de Amor (o que eu ainda não sei o porquê de não tê-lo visto), é bem cativante. Li em alguns blogs e wikipedias da vida. Sei lá, se pá, eu animo de compartilhar a minha visão. Agora, aproveitem o som.



"Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!"

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Janis, a Joplin


Estava eu aqui com os meus falhos pensamentos, quando decidi do nada baixar algumas músicas desta tão falada roqueira, que até hoje (até onde sei) não recebe um 'ar' preconceituoso dos adoradores do rock n' roll: Janis Joplin.

Digo olhar preconceituoso, pois nesta minha limitada sabedoria sobre o estilo, não conheço nenhuma roqueira que se preze, que não foi comparada a uma puta, vagabunda e afins. Exemplos muito simples são de Debbie Harry, a linda vocalista da banda new wave e punk rock Blondie, ou não precisamos ir muito longe, como a eterna 'ex-mulher do Kurt Cobain', Courtney Love - esta, não preciso nem comentar muito.

Enfim, voltando a falar da Janis. Uma garota de cabelos volumosos, que não aparentava muita beleza, porém pegou uma "boiada" de homens - e talvez mulheres - que muitos dariam o sangue por uma noite. Sim, acho que ela merece um destaque maior por ter se safado desta fama, apesar de ter aprontado poucas e boas. Engraçado que os roqueiros pegadores não são tão taxados como as mulheres, porém a Janis soube driblar muito bem essa imagem.

Ela que se fortaleceu juntamente a sua rouca voz, à luzes do power flower, época em que muitos lutavam erguendo dois dedinhos da mão, simbolizando a paz e o amor, em meio a muito sexo, drogas e rock n' roll. Vida desvairada que acabou encontrando as areias de Copacabana, no verão de 1970, para dar uma trégua no blues e escapar da heroína - dizem que aqui não existia a droga na época, o que eu duvido proporcionalmente.

Realmente, segundo aos textos que li, a mulher fez e aconteceu nos poucos dias de brasilidade. Foi expulsa do hotel luxuoso, o Copacabana Palace, por ter nadado nua na piscina; bebeu e cantou em bordéis 'requintados' da capital fluminense; fez topless na praia de Copacabana; tentou desfilar em alguma escola de samba, entretanto um segurança a barrou por conta de suas roupas hippies (preconceito, hein! Se ele soubesse quem estava barrando...); quase foi presa; e dizem por aí que até teve um affair com o roqueiro brasileiro Serguei... Aí caiu na loucura mesmo!




Oito meses depois de suas loucuras tupiniquins, Joplin morreu aos 27 anos, entrando na lenda dos 3 J's, ao lado de Jimi Hendrix e Jim Morrison, ambos que também morreram na mesma idade, e eram doidos como tal. Apesar de toda essa vida insana, acredito que ela viveu intensamente, dentro da loucura dela. Não que eu que eu concorde e aplique isso na minha vida, ou ache que esta é a melhor forma de ser resolver conflitos pessoais, mas acho que cada um tem um estilo de vida, e é difícil questionar diretamente. Ela teve apenas um amor, que morreu durante a guerra do Vietnã, não teve filhos, todavia seis meses se passaram depois da sua morte e o álbum póstumo Pearl foi lançado, no que resultou em um sucesso absoluto, um verdadeiro fruto de seu talento incontestável.

Sim, a respeitem. Não só a ela, mas a todas as roqueiras que carregam em seu sangue o gosto de todas as boas influências que se singularizam em um conjunto. Acredito que taxações já não devem fazer mais parte de uma fama ou de um reconhecimento. É a falta de conhecimento e interesse que resulta nisso, o preconceito com as demais artistas que se preze. E viva a loucura!