segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Edith Piaf - Non, Je Ne Regrette Rien

Depois de uma tentativa frustrada de postar aqui um texto sobre Alberto Caeiro, vou colocar uma música que quero muito mesmo escutar futuramente com muito sentido.
E a voz da vez é de Edith Piaf...
A música que aqui coloco fala muito de "não-arrependimentos", o que eu acho muito válido em vários momentos da vida - apesar de também muitas vezes dar vontade de voltar e fazer tudo de outra forma.
Ah, depois eu quero escrever um texto sobre ela... a história desta linda cantora francesa, que foi retratada também no filme de 2007 chamado Piaf - Um Hino de Amor (o que eu ainda não sei o porquê de não tê-lo visto), é bem cativante. Li em alguns blogs e wikipedias da vida. Sei lá, se pá, eu animo de compartilhar a minha visão. Agora, aproveitem o som.



"Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!"

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Janis, a Joplin


Estava eu aqui com os meus falhos pensamentos, quando decidi do nada baixar algumas músicas desta tão falada roqueira, que até hoje (até onde sei) não recebe um 'ar' preconceituoso dos adoradores do rock n' roll: Janis Joplin.

Digo olhar preconceituoso, pois nesta minha limitada sabedoria sobre o estilo, não conheço nenhuma roqueira que se preze, que não foi comparada a uma puta, vagabunda e afins. Exemplos muito simples são de Debbie Harry, a linda vocalista da banda new wave e punk rock Blondie, ou não precisamos ir muito longe, como a eterna 'ex-mulher do Kurt Cobain', Courtney Love - esta, não preciso nem comentar muito.

Enfim, voltando a falar da Janis. Uma garota de cabelos volumosos, que não aparentava muita beleza, porém pegou uma "boiada" de homens - e talvez mulheres - que muitos dariam o sangue por uma noite. Sim, acho que ela merece um destaque maior por ter se safado desta fama, apesar de ter aprontado poucas e boas. Engraçado que os roqueiros pegadores não são tão taxados como as mulheres, porém a Janis soube driblar muito bem essa imagem.

Ela que se fortaleceu juntamente a sua rouca voz, à luzes do power flower, época em que muitos lutavam erguendo dois dedinhos da mão, simbolizando a paz e o amor, em meio a muito sexo, drogas e rock n' roll. Vida desvairada que acabou encontrando as areias de Copacabana, no verão de 1970, para dar uma trégua no blues e escapar da heroína - dizem que aqui não existia a droga na época, o que eu duvido proporcionalmente.

Realmente, segundo aos textos que li, a mulher fez e aconteceu nos poucos dias de brasilidade. Foi expulsa do hotel luxuoso, o Copacabana Palace, por ter nadado nua na piscina; bebeu e cantou em bordéis 'requintados' da capital fluminense; fez topless na praia de Copacabana; tentou desfilar em alguma escola de samba, entretanto um segurança a barrou por conta de suas roupas hippies (preconceito, hein! Se ele soubesse quem estava barrando...); quase foi presa; e dizem por aí que até teve um affair com o roqueiro brasileiro Serguei... Aí caiu na loucura mesmo!




Oito meses depois de suas loucuras tupiniquins, Joplin morreu aos 27 anos, entrando na lenda dos 3 J's, ao lado de Jimi Hendrix e Jim Morrison, ambos que também morreram na mesma idade, e eram doidos como tal. Apesar de toda essa vida insana, acredito que ela viveu intensamente, dentro da loucura dela. Não que eu que eu concorde e aplique isso na minha vida, ou ache que esta é a melhor forma de ser resolver conflitos pessoais, mas acho que cada um tem um estilo de vida, e é difícil questionar diretamente. Ela teve apenas um amor, que morreu durante a guerra do Vietnã, não teve filhos, todavia seis meses se passaram depois da sua morte e o álbum póstumo Pearl foi lançado, no que resultou em um sucesso absoluto, um verdadeiro fruto de seu talento incontestável.

Sim, a respeitem. Não só a ela, mas a todas as roqueiras que carregam em seu sangue o gosto de todas as boas influências que se singularizam em um conjunto. Acredito que taxações já não devem fazer mais parte de uma fama ou de um reconhecimento. É a falta de conhecimento e interesse que resulta nisso, o preconceito com as demais artistas que se preze. E viva a loucura!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ain't No Sunshine - Bill Withers



I know, I know, I know...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Que tudo se foda


-- que tudo se foda,


disse ela,


e se fodeu toda.


[ Paulo Leminski ]

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Férias

Férias é algo muito relativo, pelo menos no meu ponto de vista. Durante estes dias "livres" as pessoas aproveitam para viajar, passear, enfim, fazer coisas que elas geralmente não podem fazer enquanto estão trabalhando ou estudando. Eu, por exemplo, neste meio de ano, estou tendo no total 18 dias de "descanso", mas só da faculdade, pois meu trabalho ainda continuou. O que eu mais fiz durantes este tempo? Bom, vou tentar explicar a minha rotina em tópicos:

Durante a semana
8h30 - Acordo e vou direto para o banheiro tomar banho
8h45 - Começo a me vestir
9h - Tomo um café da manhã meia-boca (geralmente tomo um copo de Activia), não gosto muito de comer de manhã
9h15 - Pego a estrada e vou trabalhar
9h30 - Chego ao trabalho, ligo meu computador e começo a fazer o que tenho que fazer diariamente
11h15 - Geralmente desço para a Rádio cobrir o programa Caximbocó
12h15 - Muitas vezes subo grilada com algum comentário escutado e começo a escrever a matéria
12h40 - Vou embora pra casa
13h - Almoço

A partir do almoço, minhas tardes variam... Geralmente ou assisto televisão, ou leio um livro, ou fico na internet, as vezes faço tudo isso ao mesmo tempo, olha que legal, enfim, É UMA BOSTA! Não aguento mais ficar em casa vendo o tempo passar. Pegar um dia-a-dia fodido, sem grandes emoções, e ainda ter que me recuperar de "certos traumas". Mas vamos manter a compostura, Simone.

Finais de semana
Estes não são tão variados também, mas são mais legais que o resto da semana. Posso julgá-los como bacanas, apesar de ainda serem um tanto limitados, pois na minha cidade não há muitos lugares legais de se ir. Os mais interessantes, na minha opinião, são:

Clube de Esquina – este eu gosto de verdade, sempre me divirto lá, apesar de estar sempre “batendo cartão” nos fins de semana.

Blues Moto Bar – um lugar mais tranqüilo. Geralmente o escolho quando não quero muito agito pra minha cabeça.

Casa Fora do Eixo – gosto de lá, mas eu meio que enjoei dos showzinhos alternativos. Mas as baladinhas discotecadas são uma boa pedida.

Choros e Serestas – este é bom na quinta-feira, quando consigo entrar (as filas são absurdas de grandes!)

Tom Choppin e demais bares do tipo – só quando tenho dinheiro sobrando, ou seja, não vou pra lá quase nunca!

Dentre umas saídas e outras, os meus fins de noite são sempre os mesmos, se resumindo em todos os dias chegando um tanto embriagada em casa. O maior problema disso tudo é acordar de manhã, contudo, acho que estou indo no caminho certo - apesar das minhas constantes dores de cabeça.

Talvez, se eu fosse “eclética” em Cuiabá, meus dias não seriam tão sem-graças. Gosto de ser seletiva, mas não gosto de ficar em casa.
Ou, talvez se eu fosse rica, pegaria o primeiro vôo para qualquer lugar do mundo onde tenha um show, um acontecimento, ou qualquer coisa legal que esteja rolando e eu estando lá, testemunhando. O que acham?

Preciso mudar de cidade, e rápido!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Momentos...

Nessa sequência.

Olhos nos Olhos - Chico Buarque



O que me Importa - Marisa Monte



Eu gosto da vida, mas não gosto do tempo. Ele me deixa esperando demais.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Parabéns, Ringão!

O aniversário do Ringo foi ontem, mas a comemoração continua!
Eu nunca fiz isso no Blog, mas é por uma boa causa. Acabei de ler uma pequena reportagem no site Terra falando sobre o show especial dos 70 anos do ex-baterista do Beatles. Fiquei tão emocionada - e lógico, me martirizei muito por não morar em NY nessas horas -, que decidi colocar na íntegra para quem quiser ver.

Aproveitem!

Ringo Starr comemora aniversário com espetáculo em NY

Nessa quarta-feira o ex-Beatle Ringo Starr completou 70 anos e a música não poderia ficar de fora das comemorações. O radio City Music Hall, em Nova York, recebeu o músico e convidados para um show emocionante.

O músico cantou sucessos de sua carreira solo, incluindo canções de seu último disco, o elogiado Y Not. Canções dos Beatles também não poderiam ficar de fora.

Yoko Ono participou da festa e subiu ao palco para cumprimentar o amigo. Mas o grande momento foi a participação surpresa de Paul McCartney, que tocou Birthday, canção clássica dos Beatles. O encontro pode ser visto no YouTube.

O show foi o primeiro de Ringo e sua All Starr Band pela turnê de verão, que foi batizada de "Peace and Love".



Lindão do meu coração!!!

Fonte: Terra

quarta-feira, 7 de julho de 2010

As Borboletas Voaram!

Mais textos sobre shows. Acredito que este é o lado cultural que mais gosto - tirando cinema, desenho, pinturas..., é, não é o que mais gosto.

Enfim! Este fim de semana, mais precisamente no dia 03/07 (sábado), fui à Chapada dos Guimarães – acho que fica uns 60 Km da capital mato-grossense -, no Festival de Inverno, e conferi o show do grande Zé Ramalho.

Abertura do show ficou por conta das meninas da Bionne. Foi maravilhoso! Principalmente quando elas tocaram "Chega de Saudade" (escrita por Vinícius de Moraes e Antonio Carlos Jobim). Eu não sei vocês, mas tenho uma particularidade enorme com essa música. Além de canções autorais, que passeavam no samba e no choro. Músicas de excelentíssima qualidade.

Agora, o show do Zé Ramalho foi como já esperava. O som estava ótimo e super redondo. Pena que a apresentação não durou tanto quanto eu gostaria - só uma hora, mais ou menos -, mas a emoção foi demais. O paraibano das borboletas tocou os seus maiores hits, como Chão de Giz, Avohai, Vila do Sossego, entre outros.

Tive a oportunidade de subir ao palco, e ficar a poucos metros da atração da noite (graças ao meu empreguinho, hehe). A energia foi sem igual! Tudo bem que fiquei somente três músicas lá em cima, mas foi o suficiente para registrar muitas coisas boas de lá. Depois fiquei bem na frente. Houve uma hora em que ele olhou pra mim e deu um "baita" sorrisão! E eu meio atrapalhada, sem jeito, o retratei. Ficou meio torto, mas está logo aí em baixo do texto, como prova! hehe.

Não reparei em muitos detalhes minuciosos do show, mas garanto que foi muito bom, chegando a entrar até nos "top 10" de apresentações musicais que mais gostei.

Para quem quiser conferir algumas fotos desta noite, basta acessar o flickr aqui: http://www.flickr.com/photos/simoneishizuka/

Babem, e boa noite!




Olha ele olhando pra mim!

Do palco!


Ô, alegria! :)

terça-feira, 23 de março de 2010

B.B. King no Brasil

É engraçado como certas realizações na vida acontecem de forma tão inesperadas. Conheço o blues há alguns anos, mas tive interesse - e um certo envolvimento “íntimo” - há alguns meses, através da do repertório da banda cuiabana Expresso Vinil (com apresentações em stand by até meio do ano por estarem se dedicando a projetos pessoais). Foi verdadeiramente um “amor à segunda vista”. Algo cativante que me fez ter aquela ânsia de pesquisar mais sobre este estilo e seus precursores.

Em meio há tantas músicas, daquelas em que você precisa sentar e relaxar para apreciá-las, escutei B.B. King, cujo os dois “B” significa “Blues Boy”. Um garoto de 84 anos de idade. Norte-americano, nascido no Mississippi - um dos pontos onde se originou o blues -, guitarrista e cantor, começou as suas primeiras dedilhadas musicais na esquina de uma igreja para ganhar alguns trocados.

Muitas vezes é citado como Rei do Blues e diferente de muitos guitarristas famosos, B.B. King usa poucas notas em suas músicas. Certa vez, o mesmo teria dito que poderia fazer uma nota valer por mil, e isso não discordo de jeito nenhum.

Tive certeza disso e pude me deslumbrar ao vivo, assistindo o show do próprio, sábado passado, em São Paulo, no Via Funchal. A grana era curta, mas a vontade era muita. A começar pelo espaço, não me decepcionei: O espaço era glamuroso, com suas mesas e cadeiras divididas em camarotes. Foi em um destes que fiquei e pasme, a mais ou menos 20 metros do palco. Foi emocionante, e melhor, nada foi planejado.Comprei o ingresso um dia antes, logo quando cheguei na “terra da garoa”, o que foi muita sorte encontrar, pois havia apenas 13 no total. O preço foi meio “salgado”, mas naquela hora valia tudo.

Apesar do aviso de “proibido tirar fotos”, eu e mais dezenas de presentes na plateia colocamos nossas máquinas a postos. Comecei a tirar fotos do local, inclusive do palco que tinha um banner gigante com o nome da atração da noite, e sobre ele estavam todos os instrumentos, prontos para serem tocados. E em meio a estes, em especial, estava a Lucille, nome de “batismo” de uma das guitarras mais famosas do mundo, uma Gibson ES-345 azul escura, que acompanha B.B. King desde a década de 1950. Ela estava lá, brilhante e encantadora, paradinha em cima do suporte.

De repente as luzes se apagam, e toda a banda aparece fazendo um solo excitante, mas só de aquecimento. Tomando como ponto de partida o início do movimento blues, com os escravos nas lavouras de algodão, me senti nessa era, ao perceber o time que acompanhava: músicos negros, todos no alto de seus 50 anos. Me remetia aos artistas seminais do blues. Depois de um super aquecimento, o Rei do Blues, logo após uma breve apresentação de um dos saxofonistas, aparece e é recebido com calorosas palmas, vindas do público em pé, este que se misturavam em pessoas mais velhas até os mais jovens, todos prontos e ansiosos para escutar a voz e as dedilhadas clássicas da atração da noite.

Com o peso da idade, B.B. King passou o show inteiro sentado em uma cadeira, tocando e cantando para o público. Vale ressaltar, na última vez que veio ao Brasil, havia anunciado que aquela seria sua última turnê.

Ele continua sendo a estrela maior. Com notas e sonoridades características de seus maiores sucessos, o cantor brincava com os riffs e executava seus solos com exatidão, e não deixou transparecer absolutamente nenhuma dificuldade para comandar a apresentação da noite. Abriu a noite com a romântica “I Need You So”, oferecendo para todos os apaixonados. Nesta primeira música, o som da voz estava baixo, e dava para se perceber alguns estalos vindos das grandes caixas de som comportadas ao lado do palco, além de ruídos saído da “Lucille” toda vez em que não estava sendo tocada. Mas mesmo com todas estas falhas técnicas, o Rei não perdeu o humor. Em vários momentos brincava com os integrantes da banda, beijava o microfone durante músicas românticas, conversava diretamente com o público, arriscava algumas palavras em português e elogiava a todos os brasileiros, principalmente os presente na noite.
Ainda tocou e cantou junto com a plateia os hits "Everyday I Have The Blues", "The Thrill is Gone" e "Let the Good Times Roll", nestas já com um som melhor que a primeira música. Com todo o carisma, ele começou a elogiar beleza das brasileiras, e ainda comentou que jamais tinha visto mulheres feias no mundo, fazendo todos os presentes caírem na gargalhada. E em homenagem às elogiadas da noite, King tocou "You are my Sunshine", cantada em uníssono. Para não perder o costume, logo após cantar a música, King ainda arrancou risos “Não quero que vocês vão para casa achando que B.B. King canta cowntry, pois ele canta blues!”. E para os “handsomes” - modo como B.B. King chamava os homens da noite, o que significa “bonito”, em inglês, tocou o sucesso "Rock me Baby".

Ainda conversando com a plateia, ele começa a enxugar a sua “Lucille” com uma toalha, e diz que a mesma estava chorando, pois tinha que ir embora. Mas depois de muitos pedidos de “mais um!”, B.B. King, como um rei que precisa agradar os seus súditos, termina a noite com hino gospel folclórico bastante conhecido nos Estados Unidos, "When the Saints Go Marching In", fechando o show, aplaudido de pé. A emoção foi única.

Depois desta, já estou mesmo é à espera da próxima apresentação. Torço mesmo para que ele “não esteja pronto para aposentar” - como o mesmo declarou durante o show -, e que ele ainda demore para anunciar a última turnê, mesmo já tendo o feito. Acredito que pela disposição apresentada, há de vir muitos e muitos shows pela frente, por que o mundo precisa de toda esta alegria e vibração que só o Rei do Blues pode passar.






Obs: Este texto vai sair amanhã (24) no jornal Folha do Estado. Não deixem de comprar e conferir. E deêm parabén pra mim! Primeiro texto crítico profissional :)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Interessante

Será que o mundo é tão pequeno quanto imaginamos? Bom, existem fronteiras, estradas - destas, algumas de "chão", outras asfaltadas, outras até alternativas - cercas, rios, mares, ares... enfim, uma infinidade de coisas que nos fazem distanciar daquilo que almejamos, que está geograficamente inalcançável.

Geralmente nestes fins de noites inusitados, começo a visitar blogs de mochileiros, estudantes em trânsitos, ou até aposentados "feitos" na vida que vivem viajando pelo mundo, e registrando suas aventuras e desventuras nesta pequena página. Daí pego e penso: "que vidinha limitada essa a minha".

Nunca viajei internacionalmente. Acho que o mais longe que fui foi para o Nordeste (alias, que viagem...). Conheci muitos estrangeiros por lá, fiz amigos. Até arranjei um amor de verão, que foi pra lá de intenso, mas que não passou de algo momentâneo cheio de calor e sentimento.

Penso mais ainda: Será que sou menos interessante por isso? Confesso que estou em conflito com isso, vendo tanta gente conhecendo diferentes lugares, tanta coisa inesquecível, talvez vivendo coisas que jamais ninguém vai viver parecido, e assim vai. E o meu máximo nestes últimos dias foi conhecer lugares bons com pessoas más perto de mim, mas tudo bem. Valeu a paisagem.

Estou com a oportunidade de realizar o meu sonho no próximo ano: fazer esta tal viagem internacional, e talvez, não achar que minha vida seja tão limitada assim. Mas durante este meio tempo, coisas aconteceram, uma delas me prende aqui mais um tempo. Besteira a minha (ou não), mas preciso focar nos antigos sonhos, pois eles me dão mais segurança e perspectiva.

Quem dera se não houvesse todos estes obstáculos que o homem criou para conhecer diferentes "mundos", com pessoas tão parecidas e diferentes ao mesmo tempo.

Enquanto isso, fico aqui esperando o que a vida tem a me oferecer a mais. Enquanto isso, fico aqui fechando os olhos e marcando presença nos lugares que eu jamais estarei na vida. Enquanto isso, enquanto isso... vou vivendo as minhas "pequenas coisas importantes" tentando ser feliz, triste e frustrada o quanto posso.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

MOBA


Em uma de suas andanças, já parou em alguma galeria de arte e observou uma determinada peça que te chamou a atenção pela sua suposta ‘feiura’? Ou, melhor (ou, ‘pior’?), pensou a seguinte frase: “Como que uma coisa dessa é considerada uma obra-de-arte?”. Com certeza isto já aconteceu com a maioria de nós, claro que a intenção do comentário é com todo respeito, apesar da tal agressividade. Mas há coisas que realmente é difícil de se entender. Vai saber, não é? Sempre existe pessoas com gostos “exóticos” demais para apreciação.
Bom, meu caro leitor, este singelo blog vem lhe informar que até os fracos e oprimidos destas tais manifestações em ordem estética tem seu espaço próprio para receber a admiração merecida. Estamos falando do Museu de Arte Ruim (MOBA - Museum Of Bad Arts), atualmente localizado Somerville Theatre, em Davis Square, Somerville, Massachusetts, nos EUA.
O museu privado, cujo o lema se distingue em “art too bad to be ignored”, ou seja, “Arte tão ruim de ser ignorada”, talvez seja único em seu gênero no mundo todo (pelo menos, oficialmente) dedicado à “língua-em-bochecha”, ou seja, a arte observada com um olhar humorístico, algo que não se destina a ser levada a sério, mas, a sua falta de seriedade é sutil. A maioria de suas obras se baseiam na arte Naïf, caracterizadas pela simplicidade infantil, que define o tipo de trabalho criado por pessoas com pouco ou nenhum treinamento formal de fazer arte. Mas nada disto impede o público de observar as obras com delicadeza e profundidade, chegando até a admira-las pela sua falta de beleza estética. E para ajudar nestas definições, ao lado das obras expostas contém descrições profundas, que chegam a ser engraçadas, com apresentações extensivas associadas às várias peças em toda a galeria, que muitas vezes são paródias de arte. Como por exemplo, a pintura de Peter Kitty, é acompanhada pela seguinte descrição: “Agitando no seu retrato de felina angústia. Estará Peter com fome ou contemplando o seu lugar em um mundo faminto? O artista tem evocado tanto desespero e contentamento com o seu uso irracional do espaço negativo...”.
Tem também a escultura curiosa feita por Carlos Rangel, chamada Red Figure With Braids (Figura vermelha com tranças). Uma boneca (?) comprida com 42"x5". Ao seu lado, o seguinte comentário: “Um monumento de auto-confiança. A pequena figura delicadamente equilibrada acima da altura, inclinada em relação a nós no cardeais cores, o seu orgulho no bolso realizou seu lado. Poderia ser este o antepassado de uma noite de televisão mostrando o acolhimento?” - profundo, não?!
Mas o fato mais curioso é sobre a tela “Lucy no campo de flores”, que foi achado no lixão pelo fundador Scott Wilson, e até hoje é reconhecido pelos americanos como “MOBA da Mona Lisa”. Sim, ela é considerada a Mona Lisa do museu. Com o sucesso da tela, a mesma sofreu um roubo que impressionou não só a polícia de Boston, como também o Boston Globe, um dos mais importantes jornais da região.
Apesar das brincadeiras, este museu leva suas exposições muito a sério, tendo como critério a seguinte missão: levar o pior de arte para o maior das audiências.

Sua história

O MOBA foi fundado em meados dos anos 90 por um grupo de amigos, que entre eles estava o arquiteto Scott Wilson que depois de achar a famosa “Mona Lisa” do museu, teve a idéia de funda-lo. Todos eles chegaram a conclusão que em nome de arte ruim, juntaram e elaboraram todas as suas obras para assim, montar o tão sonhado museu em um dos porões do Teatro comunitário da cidade de Dedham, no Estado de Massachusetts, EUA. Era aberto ao público todos os dias e gratuitamente. O local, para muitos, era considerado apropriado para a exibição das esculturas e pinturas. Mas, apesar de toda ironia do público e dos críticos de plantão, o MOBA começou a ser sucesso absoluto pelo mundo todo.
E é claro, como toda arte deve ter sua recompensa merecida, independente de suas inspirações, finalmente o MOBA mudou-se para um local maior e mais confortável. Em 2008, as obras-de-arte ruins começaram a ser expostas no Teatro da cidade de Somerville, em Davis Square, Massachusetts. Porém, desde a sua reinauguração está sendo cobrada uma tacha administrativa.

Eu sou artista!

Você que se acha um bom “artista ruim”, esta é a sua chance de mostrar ao mundo o seu valor, e divulgar as suas obras no Museu de Arte Ruim através do site: www.museumofbadart.org no link “donate”.
Neste site, você pode também conferir mais sobre a história, notícias, todas as obras expostas no museu com descrições detalhadas sobre a composição de cada uma delas, e caso alguma te chamar a atenção, você também pode adquiri-las preenchendo seus dados para poder compra-las à vontade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Demode



Pois a vida é assim.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Acidente

Algumas pessoas já sabem (ou "meio" que sabem) que neste último domingo pela manhã eu sofri um acidente de carro, na Av. Miguel Sutil, depois do Círculo Militar. Graças a Deus - e olha que eu não costumo dizer isto - não aconteceu praticamente nada comigo. Sofri algumas batidas e o cinto deu uma marca "boa" no meu pescoço, mas nada comparado ao meu carro, que deu perda total.

Este é um post diferente neste Blog. Costumo escrever sobre diferentes assuntos, sobre os meus gostos e costumes, menos os pessoais demais. Mas achei interessante eu dividir este momento marcante da minha vida com vocês, e dizer brevemente que a vida muitas vezes se torna um fiasco diante aos acontecimentos que ela proporciona.

Bom, eu estava andando a mais ou menos 80Km/h pela a avenida. Já tinha sol no céu, e eu estava voltando da casa de um amigo. Apesar do sono, eu estava em boas condições para dirigir. Logo que passei em frente ao Clube Círculo Militar, percebi água escorrendo pela rua, que saía do local. Não me importando muito com a pista molhada, mantive a velocidade pelo fato de querer chegar logo em casa. Logo na curva, antes do posto de gasolina, percebi mais água na pista. Achando que era a mesma quantidade que a anterior, decidi seguir em frente. Mal eu sabia que, diferente da onde passei, havia praticamente um palmo de profundidade. Meu carro derrapou várias vezes. Tentei recuperar o controle, mas não consegui. Foi aí que bati no meio-fio, e o carro tombou, parando em cima da calçada, ao lado de uma árvore, de cabeça para baixo. Graças ao muro de uma casa e a uma árvore, me salvei de um poste que estava próximo. Em meio ao desespero, soltei um forte grito e quando menos esperei, eu estava da mesma posição que meu carro.

Logo que o carro parou, soltei o cinto de segurança - que por sorte, tenho o habito de usar - e cai sobre os estilhaços de vidro que sobrou do parabrisa. Minha coluna doía muito, o meu corpo estava fraco, e minha cabeça sem saber o que pensar direito. Não acreditava que estava naquela situação.

Algumas pessoas se aproximaram para me ajudar. Um policial abriu a porta do motorista, e me chamou para sair, pois era perigoso continuar lá. Mas não tinha forças suficientes para sair. O meu corpo estava em condições, mas a minha cabeça não. Logo quando dei a minha mão ao policial, senti uma sensação de alívio, coisa que achei que senti antes, mas era algo diferente. Estava com um sentimento de agradecimento eterno de estar viva, de não ter sofrido nada demais, de estar andando com a ajuda de muitas pessoas boas, que estavam no lugar certo e na hora certa para me acolher, entre outras coisas.

Logo após, os bombeiros e o SAMU chegou para me atender. Sai imobilizada com toda aparelhagem possível. Fiquei sem me mover um dia inteiro, mas sai do hospital no final da manhã.

Estou repousando em casa, e pelo visto vou ficar durante esta semana inteira. Mas não fico triste pelo meu carro, ou pela situação que estou passando, acho que fico agradecida por ter e estar passando por tudo isso, pois com certeza, estou tendo uma visão nova de vida e criando novas perspectivas à ela. Agradeço por estar aqui dividindo tudo isso com vocês, até para aquelas pessoas que não conheço, mas que vez ou outra comentam nos posts amadores que publico aqui.
Não sei qual será o "melhor acontecimento dos útlimos tempos", mas estarei disposta a responder possíveis pergutas - bom que vocês me ajudam a sair do tédio, pois eu só estou comendo, dormingo, lendo e assintindo televisão... help!
Pescoço marcado com cinto. Ê alegria!

Pernas roxas

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Setembro


Estou com preguiça de escrever agora, mas achei legal recomendar este filme. Acabei de vê-lo no no Sesc Arsenal, e o achei muito bom. Não é puxação de saco, mas até hoje eu não vi nenhum filme do Woody Allen que seja ruim, apesar de não ter assistido todos, mas posso dizer que vi boa parte. Enfim, vai uma pequena descrição do filme a vocês a seguir.


SINOPSE: Numa casa de campo em Vermont, seis pessoas passam o último dia de verão. Um cenário ideal para Woody Allen construir um tocante drama sobre o amor, a amizade e a família ao seu modo inconfundível de fazer cinema. Numa ciranda de paixões, Lane (MIA FARROW), a dona de casa, ama um publicitário, Peter (SAM WATERSON), que alugou sua casa de hóspedes. Mas Peter ama Stephanie (DIANNE WIEST), que se sente vazia com o fracasso de seu casamento. Há ainda Diane (ELAINE STRITCH), a mãe de Lane, e o vizinho Howard (DENHOLM ELLIOT) que ama Lane, para fechar o círculo. Nesse mundo fechado da casa de verão, os personagens compõem um painel de aspirações e obsessões, que Woody Allen explora como ninguém.



Curiosidades: Este filme ainda não tem em DVD, portanto, terão que rebolar pra encontrar uma cópia. Mas para aqueles adeptos à downloads, aí vai o link também: http://www.4shared.com/file/71510177/40025188/SEPTEMBER_Woody_Allen.html


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Van Gogh

Há 119 anos adormecia eternamente um dos pintores mais conceituados de todos os tempos da era pós-impressionista. Seu nome: Vincent Willem Van Gogh, ou simplesemente Van Gogh. Seu jeito único de pintar, com traços aleatórios de cores ofuscantes mescladas com cores mortas, revolucionou o mundo da arte no início do século 20. Mesmo com todo esse talento, Vicent van Gogh teve a sua vida marcada por fracassos em todos os âmbitos, tanto profissional como pessoal, tendo o trabalho reconhecido somente após a sua morte, deixando de herança à cultura a arte de pincelar sentimentos.

Nascido em Zundert, uma cidade próxima a Breda, na província de Brabante do Norte, nos Países Baixos, Vicent Van Gogh era filho de Theodorus, um pastor da Igreja Reformada Neerlandesa, e de Anna Cornelia Carbentus. Recebeu o mesmo nome de seu avô paterno e também daquele que seria o primogênito da família, morto antes mesmo de nascer exatamente um ano antes de seu nascimento. Especula-se que este fato tenha influenciado profundamente certos aspectos de sua personalidade, e que determinadas características de sua pintura (como a utilização de pares de figuras masculinas) tenham sido motivadas por isso. Ao todo, Vincent teve dois irmãos: Theodorus, apelidado de Theo, e Cornelius, e mais três irmãs: Elisabeth, Anna e Willemina.

Vincent era uma criança séria, quieta e introspectiva. Desenvolveu através dos anos uma grande amizade e forte ligação com seu irmão mais novo, Theo. Por influência do tio, aos 16 anos resolveu se mudar de casa para trabalhar como comerciante de artes. Sua vida então começou a se direcionar a assuntos religiosos, sendo demitido de seu emprego. Retornando à Inglaterra, tentou estudar Teologia e trabalhar voluntariamente em uma livraria, mas novamente encontrou o fracasso.

A Arte

Por influência de seu irmão Theodoro, Van Gogh começou a levar a pintura mais a sério. Em 1883, mudou-se para Nuenen (Holanda), onde se dedicou à pintura. Lá se apaixonou pela filha de uma vizinha, Margot Begemann. Decidiram se casar, mas suas famílias não aceitaram o casamento, o que fez com que Margot tentasse o suicídio.

Em 1885, o pai de Van Gogh morreu de infarte. Neste mesmo ano ele pintou aquela que é considerada a sua primeira grande obra: Os Comedores de Batata.

Em 1886, o pintor muda-se para Paris com seu irmão Theo. Por alguns meses, Vincent trabalhou no Estúdio Cormon, onde conheceu os artistas John Peter Russell, Émile Bernard e Henri de Toulouse-Lautrec, entre outros. Este último, alcóolatra, apresenta Van Gogh ao absinto, bebida popular da ocasião, que viria a ser muito consumida pelo pintor, que a retratou em Natureza Morta com Absinto.

Naquela época, o impressionismo tomava conta das galerias de arte de Paris, mas Van Gogh tinha problemas em assimilar esse novo conceito de pintura. Vincent começou o uso da técnica do pontilhismo, inspirados no pintor Georges Seurat. A partir de sua estada em Paris, Van Gogh abandona sua temática sombria e obscura de camponeses e suas obras recebem tons mais claros. São desta época os quadros Mulher Sentada no Café du Tambourin, A ponte Grande Jatte sobre o Sena, Quatro Girassóis, os Retratos de Père Tanguy, entre outros.

Muda-se para o interior da França com o amigo, também pintor, Gauguin. Apesar da admiração mútua entre os artistas, os dois tinham “incompatibilidade de temperamentos”, como o próprio amigo afirmava. Gauguin sentia-se incomodado com as variações de humor de Vincent, o que complicava ainda mais o relacionamento entre eles.

Um dos fatos que marcou também a personalidade de Van Gogh foi a loucura. Após a saída de Gauguin para uma caminhada, Van Gogh o segue e o surpreende com uma navalha aberta. Gauguin se assusta e decide pernoitar em uma pensão. Transtornado e com remorso pelo feito, Vincent corta um pedaço de sua orelha direita, embrulha-a em um lenço e leva, como presente, a uma prostituta. Vincent retorna à sua casa e deita-se para dormir como se nada tivesse acontecido. A polícia é avisada e encontra-o sem sentidos e ensanguentado. O artista é encaminhado ao hospital da cidade imediatamente.

Com a mudança psicológica, o estilo de pintura acompanhou esta fusão e Van Gogh trocou o pontilhado por pequenas pinceladas.

O artista começa a ter paranoias, imagina que lhe querem envenenar. Os cidadãos de Arles, apreensivos, solicitam seu internamento definitivo. Sendo assim, Van Gogh passa a viver no hospital de Arles como paciente e preso.

Abandonado pelo seu amigo Gauguin e rejeitado pelos cidadãos de Arles, Van Gogh se apega ainda mais ao irmão que estava para casar, deixando-o levar a uma depressão profunda de abandono. Em 1889, aos 36 anos, pediu para ser internado no hospital psiquiátrico em Saint-Paul-de-Mausole. A região do asilo possuía muitas searas de trigo, vinhas e olivais, que transformaram-se na principal fonte de inspiração para os quadros seguintes, que marcaram nova mudança de estilo: as pequenas pinceladas evoluíram para curvas espiraladas. Esta foi a época mais produtiva do artista, que pintava praticamente um quadro ao dia, sendo um deles inspirado no próprio médico que o consultara, a tela conhecida como Retrato do Doutor Gachet, que o mesmo não encontrou sucesso no estado de espírito do paciente.

Entretanto, a depressão agravou-se, e a 27 de julho de 1890, depois de semanas de intensa atividade criativa, Van Gogh dirige-se ao campo onde disparou um tiro contra o peito. Arrastou-se de volta à pensão onde se instalara e onde morreu dois dias depois, nos braços de seu irmão Theo. As suas últimas palavras, dirigidas a Theo, teriam sido: "La tristesse durera toujours" (em francês, "A tristeza durará para sempre").
Obs: Matéria de minha autoria que saiu hoje no Folha 3 da Folha do Estado.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Beirut

Não quero que vocês leiam nada, apenas ouçam.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Primeiros passos, e olho pra cima. O prédio é alto, feito com tijolos e cheio de janelinhas. Observo algumas pessoas na frente. Devem estar falando das férias, do saco de ser segunda-feira, ou daquela menina ou menino que acabou de observar. Entro pela porta grande de madeira, empurrada pelo porteiro que nem ao menos sei o nome, que simplesmente dou "Boa Tarde" todos os dias que o vejo. Ao entrar no local, sinto uma certa angústia, solidão e medo de encarar as coisas novas. Descobri que estas coisas novas não me agradam tanto, mas confeço que suplico por elas. Vou seguindo a rampa que está no lugar das escadas, o que torna a subida mais cansativa. Entro na modesta biblioteca com portas de vidros e observo muitas pessoas conversando nas mesas. Perai! Isso é uma biblioteca! Existem vários cartazes pedindo silêncio. Mas isso não importava pra ninguém na hora. Sento em uma dessas mesas, sozinha. Abro minha bolsa nova que comprei pela manhã, e sinto aquele cheio de tecido novo. Abro o meu estojo, e encontro os mesmos lápis e canetas do semestre que passou. Nessa hora, dei um sorriso, e comecei a sentir um Dèja Vu na minha cabeça... Realmente aquilo já tinha acontecido várias vezes, mas não me lembro específicamente como. De repente, um barulho, era o sinal, parecido com um carro de bombeiro, só que numa velocidade bem mais rápida. A tensão. Senti como se eu nunca tivesse pisado naquele lugar, como se aquilo tudo fosse novo para mim. Oras, Simone, você já tem 21 anos! Vamos! O seu papel aqui é se comunicar, até que alguém prove ao contrário. Tudo bem, tudo bem. Me levanto calmamente, e sigo pela porta de vidro que havia entrado a pouco tempo. Pensa, pensa, qual era a sala mesmo que a mulher do telefone falou? Ah, sala 07. Esta, ao lado da sala dos professores. Hm... as carteiras são novas. Não têm mais estofado azul, agora é o vermelho. Se bem que os azuis deixam o ambiente mais amêno na sala. Mas o vermelho está bom. Sento na sétima cadeira que olho. Acho que aqui está bom, é um lugar mais centralizado, dá para conversar com várias pessoas da sala, me enturmar. Preciso estar atenta aos nerds, estes sim são precisos em lugares mais próximos. Começam a entrar os alunos. São todos bem mais novos que eu, acho que uns seis, sete ou mais anos. Alguns aparentam ser mais velhos, outros mais novos. Há um japonês logo ali. Hm... confio em orientais do sexo masculino. Por que as do sexo feminino não são tão espertas assim, e eu sou prova viva disso. Ah, conheço uma aluna aqui. Que bom, assim não fico tão acanhada. Entra a professora. Ela é ruiva, loira, não me lembro bem. Ah, não é estrangeira. Ainda bem. Sempre me perco com o sotaque destes professores importados. A aula corre muito bem. Apredi formas e verbos novos. Alguns são meio complicados, difícieis de entender, que eu tenho certeza que eu nunca vou usar. Toca novamente aquele sinal escandaloso. Saio da sala com uma sensação estranha novamente. Eu já tinha visto isso tudo, e sentido a mesma coisa. Entro no carro, conecto a chave, paro e penso. Sim, entendo este dia. Este é mais um dia pra minha vida inteira.

02/02/1993 - Primeiro dia da minha vida inteira.

domingo, 26 de julho de 2009

A Decadência

Isso vai ter importância daqui há 100 anos? Acho que não. Ainda mais você que pensa aos montes em um mundo melhor. Você não passa de uma pessoa sonhadora que pensa em revolucionar o convencional com seus estilos alternativos. Não creia que um dia sua vida vai ser plena e feliz desta forma.

Conheça as pessoas, cumprimente-as, seja gentil com todas, talvez isso possa lhe ajudar mais pra frente em algo empreendedor. Não é ser interesseiro, mas sim, algo necessário. Pare com essa de não fazer questão das pessoas, nem tudo você pode decidir em seu comportamento. São coisas naturais da vida. Aprenda com isso.

Reze, minha filha. Vá à igreja, confesse à Deus, perante ao padre, todos os seus pecados. Sabia que até o que você pensa é pecaminoso? Imaginar pessoas nuas, situações constrangedoras e muito interessantes, desejos de querer matar ou esmagar o cérebro de alguém com o martelo. As ideias da igreja são totalmente compatíveis ao interesse público, incluindo o seu. Então, para que questionar? Simplesmente siga.

Você está bem gorda, não? Que tal um regime? Pare de comer depois das 18h, e só tome água a partir daí. Tome estes remédios, quem sabe ele te dão um resultado mais rápido. Por que ninguém merece ficar horas na academia suando, não é?! Caminhe todos os dias no final da tarde, não esqueça de levar o cachorro para passear junto. Tudo bem que ele defeca bastante pelas ruas, mas quem se importa?
Que músicas são estas? Que gosto esquisito seu, gostar de músicas que ninguém conhece. Ouça as dez mais nas paradas musicais, isso sim que é arte, e não estes montes de berros e sons psicodélicos no meio. Não insista em ser diferente. Por isso que você não se sente bem na maioria dos lugares da cidade ou de qualquer outro plano.
Olha esta novela. As atrizes são lindas e se vestem bem, diferente de você, que sente dificuldades em achar algo que lhe agrade. Tome estas bijouterias, você atravessa na cabeça assim, sai pela orelha e gruda no nariz. É meio complicado de colocar, mas está na moda, isto que importa.

Olha o seu quarto! Que bagunça! E esta louça? Você não sabe cozinhar, mas em compensação faz uma sujeira! Como que vai ser quando você se casar e ter filhos?! Não quer casar e ter filhos? Bobagem! Todo mundo tem este sonho, e você não pode fugir das normalidades da vida.

Leia estes livros espíritas, assista a estes vídeos de palestras, são emocionantes. Vamos à reunião espírita? Tome este chá, ele te dá umas visões bem interessantes sobre a vida. Não, não, ele não é alucinógeno, é feito da planta divina, bem distante de produtos deste gênero.

Pra que está angústia? Você tem tudo! Tudo que milhares de pessoas desejariam ter. Pra que escreves isto nesta página sem sentido? Pra que o desabafo dessa forma? Saia, saia! Não pense que deste jeito os seus problemas fugirão entre os seus dedos. Pare de escrever!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Minha Amada Imortal


O ano era 2004. Como passei praticamente a minha vida inteira estudando em colégios de padre, tive um contato mais profundo com a igreja católica (juro!), e nisso, participava sempre de encontros religiosos promovidos pela igreja do meu colégio.

Eu sempre tive fama de dorminhoca, durmo em qualquer lugar e em qualquer hora (menos nas madrugadas em casa - insônia), ainda mais em palestras, e ainda mais palestras que ficam falando que Jesus é amor, Jesus é vida e virgindade é a alma do negócio, sinceramente acho isso tudo um saco. Mas em um desses encontros, ocorrido em Campo Grande - MS, vi a palestra de um padre que eu nem me lembro mais o nome da onde ele veio e do que ele falava, só sei que este momento me chamou a atenção pelo simples fato dele ter posto uma cena deste filme... Minha Amada Imortal.

Este filme conta parte da história de Ludwin van Beethoven, ou só Beethoven. Era um compositor erudito e ainda por cima alemão - só para focar que os caras fodas e inteligentes em sua grande maioria eram e são alemães, mas não é só por isso, é também o fato que apesar de ele ser um compositor extraordinário, ele era surdo. É difícil associar essas duas coisas não contraditórias. Talvez seria a mesma coisa que um fabricante de perfume não ter olfato, ou um cantor ser mudo, ou um dentista sem as mãos (não é uma má idéia!), enfim... Mas ele tinha o seu diferencial.

Em vida, Beethoven compôs grandes óperas, sonetos e concertos em geral. Sentia a música na alma, calculava minuciosamente cada instrumento em sua cabeça, e foi capaz de compor músicas inesquecíveis e imortais. Quem aqui nunca ouviu Sinfonia nº9, que atire a primeira pedra, obrigado.

Mas a música que me deixa extasiada é o Sonata ao Luar. No filme, Beethoven (interpretado por Gary Oldman) começa a tocar esta música no piano, como não podia ouvir o que estava tocando, tentou encostar seu ouvido no instrumento para sentir as vibrações que ele dava em cada dedilhada. Esta cena é simplesmente fascinante.

Cena do filme Minha Amada Imortal (1994)


Tudo isso é para que vocês confiram este filme. Ele não merecia um Oscar e nem um Globo de Ouro como melhor filme do ano, quanto mais do século, mas assistam somente para ver esta cena... Posso garantir que é apaixonante.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Lenda


Mesmo insistindo em abandonar este blog, me vejo obrigada a prestar uma última homenagem a este ícone mundial, que no dia de ontem, reluziu muito além do que as suas roupas brilhantes: Michael Jackson.

Lembro-me de quando era pequena, no início dos anos 90, quando Michael ainda estava no auge da sua carreira, e todas as lentes estavam focadas diretamente a ele. Mesmo depois de alguns anos de lançamento, o clipe Thriller ainda passava na TV, e eu, como uma criança fissurada na "tecnologia", sempre acompanhava as programações, entre um programa e outro, o clipe passava. Tudo estava tranquilo, até que o bando de zumbizada aparecia para dançar aqueles passos complexos, que nem com força eu conseguia imitar. Confesso que tinha muito medo dos dançarinos, mas inevitavelmente eu caía na dança junto.


O tempo passou, e comecei a criar meus gostos próprios, e um dos que mais se destacavam era meu amor pelo trabalho dele. Um dia, desses de meio de semana, que vc fica na internet para pesquisar algumas coisas de faculdade, comecei a olhar o Youtube, e numa dessa minhas "andaças" achei vários vídeos do Michael. Só sei que tinha que acordar no outro dia às 6h da manhã, e acabei ficando até as 3h30 da madrugada, pasma com aqueles passos que ultrapassavam as leis da gravidade, inclusive o Moonwalk (que um dia eu aprendo!).


Enfim, pessoas, mesmo com os escândalos que envolveram seu nome, eu não conseguia parar de ouvir e conferir sua música, seus passos, sua arte! É engraçado como a mídia agora com a perda, aborda o seu nome, como o ÍCONE DO POP, A PERDA DE UM REI, entre outros, sendo que a pouco tempo muitos meios de comunicação o chacotavam, o chamando de aberração por conta de sua aparência, e de louco, pois ele insistia em ser uma eterna criança. Agora, queridos leitores, vamos aproveitar o que ele deixou para todos nós, pois mesmo com um final triste de sua vida, ele merece ser mais que aplaudido por tudo que fez, pois, creio eu, Michael Jackson cumpriu sua missão: A de transmitir alegria ao mundo através do seu trabalho.


AU!